Como se recuperar de traumas pessoais

Como se recuperar de traumas pessoais.

Em maior ou menor grau todos nós já tivemos situações traumáticas na vida. Ao que parece, algumas pessoas parecem ter maior facilidade para ultrapassar e deixar para trás estas situações, outras pessoas nem tanto. À essas pessoas menos potentes, está destinada uma espiral descendente de tristeza, depressão e raiva, o que não raro, se transformam em comportamentos altamente destrutivos. A diferença básica entre estes dois tipos de pessoas está como elas lidam com o fato, como elas assimilam a dor – como um lutador de boxe que que ao levar um jab, sente uma dor imensa, não acusa o golpe, por entender que se acusar, o seu adversário baterá várias vezes naquele lugar, e segue em frente na luta – tudo depende de como digerimos e combatemos a realidade que não condizia com a nossa expectativa.

No fundo, é tudo uma questão de expectativa

Invariavelmente, sim, é tudo uma questão de expectativa versus realidade. Tendemos a achar que temos o domínio sobre alguma coisa e a maior prova de que não temos é quando algo sai fora daquilo que tínhamos previamente determinado e essa realidade colide diretamente com o conto de fadas que contamos para nós mesmo: fui demitido do meu emprego no qual eu era insubstituível, minha mulher está me traindo com outro cara, minha mãe morreu do nada, a minha vida não era o que eu imaginava e outros mimimis-do-caralho.

Todas essas conversas e diálogos internos são ilusões que nos contamos com o intuito de nos dar a falsa ilusão de controle sobre algo que não está em nossas mãos. Digo e direi quantas vezes for necessário, só temos controle sobre como participamos das coisas e só. Se algo for feito e gerenciado por você, se o resultado desse algo depender direta e somente de você, aí sim, você tem algum controle sobre esse algo. Caso contrário, você é só mais uma peça de uma engrenagem caótica e imprevisível que está totalmente fora de qualquer controle.

Invariavelmente, uma peça dessa engrenagem se solta, se quebra e trás à tona a pequenez da nossa existência e fragilidade da nossa vida.

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Quando isso ocorre, geralmente é algo traumático, que rasga a nossa realidade e nos expõe a algo que não estávamos preparados e, literalmente, o mundo cai ao nosso redor. Muito se diz sobre aproveitar essas situações para fomentar o crescimento e evolução pessoal, mas é foda.

Por mais resiliência e força interna que se tenha, dependendo do jab que se toma, é difícil levantar da lona e voltar à luta. Porém, mesmo que demore, é necessário levanta e seguir em frente. Carl Jung, sempre ele, disse certa vez algo como: “Não há nenhuma tomada de consciência sem dor.”, por isso, quanto mais rápido nos levantarmos, maior será a nossa consciência e perspectiva sobre nós mesmos e isso é uma das chaves para se tomar decisões mais conscientes, que por sua vez, são a chave para se ter o mínimo controle sobre a sua vida.

Aqui estão 4 passos para se recuperar de trauma pessoal:

[1-  ABRACE O SOFRIMENTO] Não ignore, não finja que ele não existe ou mesmo tente mascara-lo se entretendo com qualquer outra coisa – geralmente, para fugirmos do sofrimento tendemos a desenvolver comportamentos destrutivos, com a desculpa covarde e esfarrapada de que “precisamos” de algo. Esse algo pode ser bebidas alcoólicas, putas & drogas, açúcar em excesso, se afundar no trabalho, desenvolver uma paixão repentina por uma atividade física, se enfurnar em casa para ver TV e etc. Buscamos entretenimento para não pensarmos sobre o que está nos fazendo triste. Não há nada de errado em sentir tristeza, mas há um perigo grande em se culpar por se sentir triste. Busque entender qual é a razão do seu sofrimento e invariavelmente você perceberá que a origem dele tem a ver com uma expectativa criada inconscientemente sobre algo.

[2-  TOME O TEMPO QUE PRECISAR] Recuperar-se de um trauma não é fácil.  Você provavelmente terá muita coisa a fazer, mas é necessário ter um tempo para entender tudo o que aconteceu e eventualmente, seguir em frente. Quando você tomar o tempo necessário para digerir e se curar, você talvez garanta uma existência mais sólida e consciente para os novos desafios que certamente virão.

Porém, quando falamos em tempo para se recuperar, temos que tomar cuidado e redobrar a nossa atenção em não transformar um período de resguardo e recuperação em um comportamento vitimizado e triste. Ou seja, é normal sentir tristeza por algo, mas desenvolver um comportamento triste não é. Em se tratando de comportamento, segundo ao mais recente estudo sobre o assunto, uma pessoa demora em média 66 dias para construir um novo comportamento.

Logo, se você adquirir o comportamento de ser triste e quiser algo diferente, terá que construir um comportamento diferente. Caso contrário, você se tornará realmente uma pessoa triste por escolha própria, seja ela consciente ou inconsciente.

[3- AOS POUCOS, CONSTRUA UMA NOVA VIDA] Construir uma nova vida não é fácil e demora, mas é necessário quando se passa por algum trauma. Durante os períodos negros da tristeza, muitas vezes jogamos fora os nossos sonhos e desejos de sucesso.  Agora é necessário ir atrás destes sonhos e desejos novamente ou mesmo voltar a fazer o que lhe fazia feliz antes. Construir uma nova vida não acontece da noite para o dia e no bem da verdade, ela só termina quando morremos. E mesmo assim, dependendo da sua crença, esse “termino” e só o começo para algo novo.

Sendo mais prático e diretivo,  quando digo em “construir uma vida nova” não quero dizer construir tudo realmente do zero, mas caminhar em direção a algo construtivo, que não necessariamente seja novo, mas que seja positivo para a sua existência e não consigo imaginar outro parâmetro para isso que não seja “em frente”.

Aqui não interessa a velocidade, mas sim a direção.

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[4) PERDOE] O perdão é algo pessoal e intransferível.

A grande verdade é que um trauma causado por outra pessoa é problema nosso e não da pessoa causadora do trauma, por isso, o perdão se torna algo egoísta.

Perdoamos o outro por não ter correspondido as nossas expectativas. E na grande maioria das vezes essa expectativa, esse acordo, nunca foi firmado ou mesmo celebrado em comum acordo. Geralmente ele é unilateral.

Uma coisa me deixa puto quando falamos em perdão, uma não duas:

– Todo mundo erra: Todo mundo comete deslizes na vida, pequenos ou grandes, errar é humano e só aprende quem erra. Se você defende a tese de que aprende com os erros dos outros, ou você é um covarde que não vive a sua própria história ou vive em uma espécie de matrix pessoal que não suporta o erro.  Se esse for o seu caso, você tende a ser um sofredor, pois…sorry, o seu conjunto de leis e regras não é ensinado na escola.

O fruto do trauma pode ser o erro de outra pessoa e daí? Erramos todos, todos os dias.

– Autoritarismo: É muito estranho querer que uma pessoa se comporte exatamente como você espera que ela se comporte não é mesmo? Podemos entrar no mérito da etimologia da palavra confiança, mas não é o caso. Se uma pessoa quebrou a sua confiança e com isso criou-se um trauma, onde fica o conceito de liberdade e de livre escolha dela?

Se você precisa perdoar alguém – e se você acha que precisa, sim você precisa – perdoe. Ligue para ela, não importa quem seja ou que horas, perdoe e peça perdão. Isso é realmente importante.

Certamente é importante para você e não para ela.

O perdão não significa esquecer ou algo do tipo. O perdão significa deixar ir, virar a página e seguir em frente. Significa que algo do passado não tem mais o poder de controlar a sua vida.

[CONCLUSÕES] Se recuperar de um trauma não é nada fácil. Como lidamos com a dor e sofrimento é o maior indicador de como o trauma nos afetará. É necessário ser bondosos e pacientes com nós mesmos. Antes de perdoar alguém, é necessário perdoarmos a nos mesmos quantas vezes pudermos, talvez ao nível bíblico (70×7) quantas vezes for necessário.

A pior traição e ressentimento que podemos ter é contra nos mesmos.

Desastres e problemas do passado podem ser âncoras que nos afundam e nos mostram a pior faceta de nós mesmos ou foguetes que nos impulsionam para uma nova versão de nos mesmos, geralmente mais forte, integra e consciente.

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Postado por / 30/09/2018 / 0 Comentários
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