Procrastinação – Estratégias e armas para vencê-la

Procrastinação

Procrastinar

Significado

v.t e v.i.

  1. Adiar para depois; fazer mais tarde;
  2. Prorrogar para outro dia;
  3. Usar de delongas; adiar de forma indefinida.

Sinônimos: adiar, delongar, diferir, prolongar, prorrogar, protelar e retardar.

Sinônimos coloquiais: enrolar, sabonetar e punhetar.

(Etm. do latim: procrastinare)

Entregar o relatório para o chefe ou responder as mensagens da galera no WhatsApp? Ficar 5 minutos no Facebook, que se transformam em duas horas, ou estudar? Tirar o lixo fora ou jogar videogame?

Estudar sobre o mercado e a empresa para estar bem preparado para a entrevista de amanhã ou ver vídeos aleatórios no Youtube?

É inegável, às vezes imperceptível, mas todo dia, a toda hora, temos que decidir o que fazer sobre algo. Terminar de uma vez por todas o TCC ou continuar vendo TV?

Muitas vezes estas decisões parecem fáceis, mas podem acabar em situações complicadas: dizer ao chefe que ainda não terminou o relatório ou inventar uma desculpa?

Se na hora de decidir você costuma escolher a opção de “deixar para depois”, não se sinta sozinho: você esta entre os 95% das pessoas adeptas da procrastinação, ou como eu gosto de dizer, a famosa “sabonetagem”.

to do list[POSSÍVEIS ORIGENS OU PROCRASTINAÇÃO, SUA LINDA] Se você superar a sua preguiça e procurar sobre procrastinação no Google encontrará diversas e variadas teses e fontes sobre a origem da procrastinação – inclusive verá a diferença entre preguiça e procrastinação. Se somarmos todas estas teorias, chegamos basicamente em duas grandes hipóteses. Uma grande parte delas considera a procrastinação uma doença e outra parte um hábito.

Como não sou médico ou qualquer outra profissão que cause a cura de algo, a não ser, talvez uma cura momentânea de mau humor, vou analisar a procrastinação sobre o prisma do hábito e como ele pode ser mudado.

Se você nem se deu ao trabalho de procurar qual o significado de  preguiça, aí vai:

Preguiça:

  1. Propensão para não trabalhar.
  2. Demora ou lentidão em agir.
  3. Gosto de estar na cama, de se levantar tarde.

Ou seja, a preguiça esta diretamente ligada ao ato de não faze nada, de não produzir ou se comprometer com algo, quando a procrastinação esta ligada ao protelamento de alguma coisa.

Para entender porque deixamos para depois o que se pode fazer hoje, temos que analisar a origem da nossa caixola, o nosso cérebro.

Evolução do cerebroO primeiro e mais antigo deles, é o chamando cérebro reptiliano, que é responsável pelo gerenciamento das funções básicas do ser humano como sobrevivência e reprodução. É chamado de “reptiliano”, pois os seus padrões de comportamento se assemelham ao de répteis. O conceito de sobrevivência nesse contexto se assemelha a um sistema simples, “binário”: fugir ou lutar. Ele não aprende com os seus erros, não tem a capacidade de sentir e nem pensar, a sua única função é atuar.

Quando o cérebro reptiliano é ativado, ele tem total prioridade sobre os outros, uma vez que ele governa a sobrevivência dos outros.

Na escada evolucionária do sistema nervoso, temos o sistema límbico, responsável pelos comportamentos emocionais e sexuais. Assuntos ligados à aprendizagem, memória e motivação também estão ligadas a ele. Todos os mamíferos tem este componente cerebral, por isso, muitos pesquisadores se referem ao sistema límbico como “Cérebro Mamífero”. Para resumir, o sistema límbico integra as informações sensitivas-sensoriais como estado psíquico interno e isso atribui conteúdo afetivo a esses estímulos, a informação é registrada e relacionada à memórias pré-existentes. Por isso, muitas vezes nos lembramos de algo não pela informação em si, mas pela emoção que esta associada a ela.

Por fim, no último degrau (por hora) da evolução: o neocórtex ou cérebro racional.

É a parte mais desenvolvida dos três. Ele é responsável por uma enorme variedade de funções, desde o controle de movimentos e comportamentos necessários à vida social, como a compreensão dos padrões éticos e morais e a capacidade de prever as consequências de uma atitude. Ligado a ele estão também os processos ligados à audição, memorização, analise de informações captadas pelos olhos- que os interpreta mediante um intrincado processo de comparação, seleção e integração. Além destas funções, o neocórtex é responsável pela escolha das opções e estratégias comportamentais, pela manutenção da atenção e pelo controle do comportamento emocional. Sem ele, por exemplo, as emoções ficariam fora de controle, seriam exageradas e persistiriam após cessar o estímulo que as provocou, até que se esgotasse a energia nervosa.

Dito isso, você se pergunta o que a evolução cerebral tem a ver com você passar horas no WhatsApp durante o trabalho e não fazer o que realmente você tem que fazer no trabalho?

Utilidade prática das origens

Entenda, que toda, isso mesmo TODA decisão que tomamos tem origem emocional-racional mas sobretudo emocional. Porém, o nosso cérebro filtra as emoções e as transforma em argumentos racionais – essa é uma das funções do neocórtex, lembra?

Quando o neocórtex perde esse controle sobre as emoções racionalizadas, estamos à mercê do sistema-límbico e do cérebro reptiliano, que tem como função básica correr ou lutar quando se sentir ameaçado – daí temos a expressão “perder a cabeça”.

Filtro de emoçõesA questão aqui não é a emoção ou o instinto em si, mas sim o que “os ativa”. Emoções são percepções pessoais e intransferíveis bem como a codificação de um determinado fato se relaciona com cada emoção.

Imagine a seguinte situação:

Em uma batida entre dois carros, um dos motoristas sai do carro e começa a agredir verbalmente e a danificar o carro do outro motorista, que não faz nada.

Nesse contexto, podemos ver a ação de enfrentamento de uma possível ameaça e a passividade ou fuga diante de uma possível ameaça. Para o motorista que perdeu o controle emocional e partiu para a agressão, o acidente pode ter significado uma ameaça a sua sobrevivência, ou um desrespeito ao trabalho duro que ele teve para conseguir comprar o carro ou ainda a fome que a sua família passará com a falta do carro que era usado como única fonte de renda.

Do outro lado, temos o motorista que não faz nada.

Essa reação pode ter sido medo de enfrentar a situação, que pode ter representado um risco a sua vida, e ele decidiu fugir, sendo que nessa situação, fugir era não fazer nada e permanecer no carro.  Ou simplesmente para ele, toda essa situação pode ter significado apenas um acidente fruto da inabilidade de ambos de guiar um automóvel.

Veja que existem várias interpretações para as codificações de emoções que causou o comportamento de ambos. Uma situação dessas leva à varias interpretações, mas não só.

O motorista bravo poderia ter a mesma reação, por exemplo, ao ser questionado pelo seu chefe sobre o relatório de vendas que esta atrasado à meia hora ou ainda, o motorista que não esboçou reação alguma ao ser agredido, pode ter a mesma reação ao ter que fazer uma série de contatos por telefone com prospects.

“Hum…” você pensa.

Obviamente, se os dois motoristas estivessem de frente para um leão, a provável reação seria a fuga.

Emoções são emoções, mas o fato que as ativa é sempre pessoal.

Entendendo a procrastinação

Vimos de maneira resumida qual é o papel de cada uma das funções do nosso cérebro e como um fato pode afetar o gerenciamento das nossas emoções e consequentemente das nossas ações.

A procrastinação nada mais é do que uma espécie de pane no nosso sistema decisório consciente, o neocórtex, que “desliga” quando esta a frente de um medo opressor, como um leão, um motorista que bateu no seu carro, o seu chefe ou mesmo um relatório ou aquela ligação para um cliente.

Cada um destes exemplos são gatilhos que acionam diretamente o seu sistema-límbico e o põe em confronto com o neocórtex, que diante de um grande terror ou ameaça tem as suas funcionalidades “sequestradas” e as nossas decisões passam a ser inconscientes, com base em emoções e pensamentos que nos são totalmente desconhecidos.

Obviamente, quanto mais inconsciente forem os gatilhos, maior as chances de se perder o controle sobre as nossas ações e com isso, tomar atitudes impensadas e estupidas.

Tudo que nos é desconhecido, esta fora do nosso controle.

Diálogo interno

“Estamos eternamente em diálogo, num bate-papo infinito com nós mesmos, que alguns também chamam de monólogo interno. É a mente do “macaco louco”, na expressão de Yongey Mingyur Rinponche, monge do budismo tibetano e autor do livro Alegria de Viver. Ela é agitada, inquieta, pula de um assunto a outro sem parar, de galho em galho.“ O diálogo interno também pode ser descrito como ‘pensamento compulsivo’. É um estado em que nossos pensamentos nos comandam, repetindo a si mesmos centenas de vezes sem conseguir chegar a outro patamar.” – Retirado da revista Vida Simples, abril 2013, matéria “Aprenda a ouvir.”

Toda essa conversa acontece no nosso inconsciente, através do nosso diálogo interno que nada mais é do que as dezenas de milhares de conversas que temos com nós mesmos todos os dias, inclusive quando estamos dormindo.

A chave para vencer a procrastinação esta em escutar conscientemente estas conversas.

Nelas estão as razões do porque você não faz o que precisa ser feito. Mas, escutá-las apenas não resolve. É necessário aceitar o diálogo e muitas vezes entender que nele esta a chave para o aumento efetivo da sua performance.

Pela minha experiência, a “conversinha” que você se conta tem pelo menos um dos motivos abaixo e muitas vezes todos eles juntos.

[MEDO DO FRACASSO] “Um dos principais bloqueios à realização pessoal do ser humano é o medo do fracasso. Este medo, que geralmente tem origem na infância e numa história de vida onde existiu muita cobrança e exigência e pouco ou nenhum incentivo à criança, está por trás de muito sentimento de frustração e infelicidade.

Todos nós desejamos alcançar sucesso e realização. Mas se não existir em nós a confiança necessária e a certeza de que possuímos os recursos internos para realizar seja o que for que desejemos, nada poderá ser obtido.

Enquanto persistir o medo do erro e do fracasso, permaneceremos paralisados e deixaremos escapar qualquer chance de felicidade que a vida nos proporcione.

O fracasso é um elemento natural da vida. O problema é que, pessoas que não tiveram sua autoconfiança desenvolvida desde muito cedo, passam a exigir de si mesmas uma perfeição impossível de ser alcançada.

De modo geral, para essas pessoas um fracasso se torna uma marca indelével na mente, que apaga qualquer memória de êxito que elas possam ter alcançado.

A aventura de viver inclui, tanto realizar nossos projetos, como falhar em algumas tentativas. Pessoas que se gabam de jamais ter conhecido um fracasso ou cometido um erro na vida, são inconscientes ou necessitam de autoafirmação.

E, muito provavelmente, escondem por trás dessa atitude um sentimento de insegurança que tentam disfarçar através do auto-engrandecimento.

Decepções amorosas e relações que terminaram mal costumam deixar marcas profundas na maioria das pessoas, que passam a temer um novo relacionamento por acreditar que não conseguirão suportar um novo fracasso.

Para quebrar este ciclo de medo e paralisia, devemos alimentar nossa autoconfiança e autoestima, refletindo seriamente acerca de nossas qualidades e trazendo à memória as experiências bem-sucedidas, mesmo que elas tenham terminado. Sempre é possível re-editar os sucessos em novas tentativas.” – Elisabeth Cavalcante

O mais simples dos medos é o medo do erro.

Muitas vezes esta associado a suposta vergonha que o individuo sentirá se não conseguir alcançar uma meta ou objetivo. Muitas vezes, a vergonha interna é muito maior que a externa, e a simples visão disso pode levar a procrastinação.

[MEDO DO SUCESSO] Esse é meu predileto, porque ele é tão real e poderoso que muitas vezes passa desapercebido para a maioria de nós. O medo do sucesso, na grande maioria das vezes, esta ligado a uma crença de nos tornamos aquilo que de alguma forma não toleramos ou temos algum tipo de preconceito ou sentimento negativo.

Acompanhe o caso abaixo:

Ricardo nasceu em uma família humilde de São Paulo, e com muito esforço conseguiu completar os estudos. Trabalhou desde cedo para ajudar nas despesas da família, mesmo na faculdade ele trabalhava em dois empregos, um como estagiário, para cumprir as normas da faculdade e em outro como garçom à noite. Como muito emprenho, Ricardo se formou e conseguiu um bom emprego, em que ele, ao poucos, começou a ter algum destaque. Anos depois, Ricardo já tinha uma carreira consolidada, os tempos de aperto ficaram para trás, e ele foi caminhando para o topo do mercado de trabalho. Um belo dia, Ricardo recebe o convite para ser um dos diretores da empresa em que trabalha. Obviamente, Ricardo aceita o convite. Com o novo cargo, Ricardo tem status, poder e muito dinheiro.

Porém as coisas não saem como ele pensava.

O outrora incansável Ricardo agora esta lerdo, disperso, perde prazos de entrega constantemente, sempre chega atrasado às reuniões marcadas e não consegue bater nenhuma meta, que ele antes, com um cargo inferior batia com certa facilidade. Alguns colegas de Ricardo dizem que falta a ele planejamento e competência, outros dizem que ele demora de mais para fazer o que uma pessoa no seu cargo deveria fazer porque ele tem falta de foco e procrastina demais.”

Porque será que Ricardo esta se auto sabotando tanto?

O que será que o nosso personagem pensa sobre pessoas ricas e bem sucedidas? Talvez ele as ache sujas e egoístas?

Será que ele se acha merecedor de tanto sucesso?

Ou ainda, quais implicações o novo cargo trouxe a Ricardo? Mais tempo no trabalho e menos tempo com a família e amigos?

Aliás, como os amigos e entes queridos vão passar a ver o Ricardo? Será que eles ainda serão seus amigos pelo o que ele “é” ou pelo o que ele passou a ter?

Existem ainda dezenas de outros fatores que podem estar levando Ricardo a se destruir através da procrastinação. Esses fatores estão todos nas suas conversas internas, muitas vezes nas entrelinhas.

Para identificar se você tem medo do sucesso, se faça as seguintes perguntas:

O que eu penso sobre as pessoas que estão no lugar onde eu vou/estou/quero estar?

Como essa nova posição/situação vai afetar a minha relação com as pessoas que são importantes para mim? Como eu vejo as pessoas que fazem/vivem essa situação?

O que penso sobre dinheiro/fama/poder/sucesso?

Eu perco alguma coisa? O que? E o que mais?

Se eu perder isso (seja lá o que for) como eu acho que as pessoas vão me ver?

Qual será a minha opinião sobre mim mesmo?

Quais as consequências disso para mim? E para as pessoas próximas a mim? E para a pessoa que eu mais amo?

As respostas podem ser doidas no começo, mas como disse certa vez Carl Jung:

“Não há despertar de consciências sem dor. As pessoas farão de tudo, chegando aos limites do absurdo para evitar enfrentar a sua própria alma. Ninguém se torna iluminado por imaginar figuras de luz, mas sim por tornar consciente a escuridão.

[FALTA DE COMPROMETIMENTO] Na minha opinião, esse é o item que mais causa a procrastinação hoje. Esqueça a internet. Ela é apenas a ferramenta mais disponível para isso e agora ela compete ferozmente com o WhatsApp e outras coisas do tipo.

Antigamente era o cafezinho na copa ou o cigarro na área aberta.

A falta de comprometimento evidência:

– Falta de um objetivo, cenário desejado na vida pessoal e/ou profissional.

– Falta de alinhamento com os objetivos de onde se está (geralmente trabalho).

Já sabemos as consequências de não se ter um objetivo (por menor que seja) na vida. A pessoa tende a vagar pela vida, sem um mínimo sentido – não, dinheiro não é um objetivo.

É a consequência de algo. Geralmente, trabalho – talvez, se você se perguntar o porque quer ter dinheiro, o que fará com ele ou o que ele vai te trazer, aí, talvez, você chegue na razão do porquê você quer dinheiro.

A falta de alinhamento com os objetivos de onde se está é um pouco mais grave, pois além de afetar o próprio procrastinador, afeta outras pessoas ao seu redor. É aquele funcionário da empresa que não está nem aí se for demitido ou mesmo se ele não bater a meta. Para ele tanto faz.

Se ele for demitido, ótimo, ele receberá o seguro desemprego e ficará mais tempo fazendo outras coisas, provavelmente coisas de que goste – e ao invés de investir e participar desse cenário, escolhe não participar nem desse cenário e nem no seu trabalho. E o pior, tirando as chances de alguém que realmente queira estra na empresa onde ele está, só que produzindo e não enrolando. Se ele continuar tendo o mesmo comportamento, as contas estão pagas então está tudo certo! Mesmo que a empresa onde trabalha esteja indo para o buraco, em partes pela sua falta de performance.

Se você acha que planejamento é a solução para combater a procrastinação, cuidado. Ele também é uma das armas favoritas dela.

ARSENAL CONTRA A PROCRASTINAÇÃO

Existe saída para vencer a procrastinação?

Sim. E a solução é simples.

Não importa o que causa a sua procrastinação a solução é uma só.

Talvez, você tenha que refletir sobre:

Quais as consequências REAIS do seu comportamento procrastinador?

Dito isso, a chave para começar a vencer a procrastinação se chama metacognição.

metacognição“1. Metacognição

Etimologicamente, a palavra metacognição significa para além da cognição, isto é, a faculdade de conhecer o próprio ato de conhecer, ou, por outras palavras, consciencializar, analisar e avaliar como se conhece, “pensar sobre o próprio pensamento?”

Através da reflexão sobre a maneira como se aprende, pode-se repensar sobre os processos de pensamento individual.” – WEB

O processo de metacognição, no contexto da enrolação, tem a função de juntar informações que levem o procrastinador a formar um plano de ação. Veja, não é um planejamento ou estratégia e todo esse blá, blá, blá, mas sim um plano de ação que consista em atitudes que o levem a fazer o que deve ser feito.

Ao pensar sobre o pensamento, conseguimos ver o pensamento raiz de fora dele, como se fosse de outra pessoa. Quem aqui não é ótimo para resolver os problemas dos outros e péssimo para resolver os seus?

Pois é, uma das armas contra a procrastinação é ver a situação de fora.

Mas só isso não basta.

Ver de fora e não fazer nada só vai gerar mais culpa, pois você terá o conhecimento para fazer O QUE PRECISA ser feito e não O QUE VOCÊ QUER fazer e não fará. Conhecimento sem atitude gera culpa, tenha isso em mente sempre.

No processo, pense nos itens abaixo. Eles são as armas que você tem contra a procrastinação:

[Defina metas] Estipule metas para o que você esta procrastinando e divida-as em pequenas partes. Cumprindo as pequenas partes, aos poucos, a procrastinação não parecerá uma montanha opressora de coisas a fazer.

Mas seja honesto e realista. Não adianta superlativar as suas ações, se hoje você nem consegue fazer o básico.

[Descubra o tempo] Saiba quanto tempo você precisará para fazer cada etapa. Isso não precisa ser feito sempre, mas tem que ser feito até virar um hábito. Saber quanto tempo levará cada tarefa para ser feita, ajudará você a mensurar a sua performance frente as metas que você se deu.

[Calcule Recursos] Se ao chegar no seu trabalho, você gasta 20 minutos para começar a trabalhar de fato, porque antes disso você coloca as suas coisas em cima da mesa, leva o seu lanche para a copa, toma um café de 5 minutos enquanto conversa com o seu par de área, checa os e-mails, passa rápido pelas noticias do dia, dá um bizú no Face, para só depois, começar a produzir algo. Leve este tempo à serio.

Dessa forma você não vai precisar se convencer de que precisa desesperadamente tomar um café, abrir o Face ou mesmo conversar com o seu par de área, porque você JÁ FEZ tudo isso e o que você precisa é FAZER o que você se predispôs.

[Pense no processo] Pesquisas apontam que quando nós fechamos os olhos e pensamos no processo de algo, o nosso cérebro é enganado, e ele acha que já fez aquilo anteriormente nos dando uma visão sistêmica de algo que ainda não existe e com isso a tarefa fica mais fácil de ser resolvida.

[Conte com possíveis distrações] Quantas vezes você se distraiu até chegar a essa parte do texto? Quantas vezes ficou com vontade de checar o Face ou o Whats? Vamos, eu sei que você quis dar uma olhadinha só…

Isso também vai acontecer quando você estiver fazendo tarefas que você costuma deixar para depois. Quando isso acontecer, é necessário ter foco no que se propôs a fazer e resistir a qualquer distração, por mais forte e tentadora que ela seja. Como todos os outros itens, manter o foco e não se distrair é um processo.

[Aceite a falha] Aceite que mesmo que você faça tudo isso, você vai falhar algumas vezes. Você não vai conseguir responder todos os e-mails pendentes na sua caixa de entrada em uma tarde com a qualidade que você sabe que eles precisam ter, e essa situação não se resolverá se você for tomar uma xícara de café ou fumar um cigarro.

Ela se resolverá quando você se propuser a resolver. E ponto.

O contrário de um enrolador profissional é uma pessoa de alta performance focada em resultados.

ELA TAMBÉM TEM AS SUAS ARMAS

Como já vimos, a procrastinação tem origem no nosso cérebro, no mais intimo do nosso ser. É algo que nos representa uma ameaça, pode ser uma tarefa opressora – que pode ser difícil ou complexa de se resolver, ou ainda que não se saiba fazer – ou algo que represente uma falha, medo de se tornar aquilo que não se aceita e etc.

Pois bem. A procrastinação também tem a suas armas:

[Planejamento] “- Não espere o momento certo, ele nunca será. Não fique parado, o tempo caminha para a mesma direção. Comece agora e utilize toda as energias para que tenha em seu comando as melhores ferramentas para atingir seus objetivos.” – Napoleon Hill.

Planejar é importante. Planejar é essencial.

Mas muitas vezes o planejamento é a muleta dos procrastinadores.

Muitos planejadores, analíticos e até autointitulados prudentes ficam esperando o “momento certo” para fazer algo e esse momento muitas vezes não vem. Nunca. Aliás, esse momento certo, mágico diria eu, na maioria das vezes não existe.

Mas como saber se eu estou planejando ou só procrastinando?

Tenha metas claras. Eu não vou me cansar de falar isso.

Não existe mágica, existe processo.

[Conversas sedutoras] “Chefe, eu não tive tempo de fazer a apresentação para a presidência, porque eu fiquei resolvendo alguns problemas na operação.” OU “Fui mal na prova, porque eu não tive tempo de estudar direito.”

Esses exemplos caberiam nas origens da procrastinação, mas as deixei para o final para mostrar que o cara que vive dentro das nossas cabeças é muito inteligente. Não raro, mais inteligente do que nós que estamos aqui fora. Eu mesmo, para escrever essa parte final do texto estou lutando para não fechar ele e terminar depois.

Por quê? Qual a mentira racional que eu estou me contando nesse exato momento para largar tudo? “- Preciso fazer a rotina administrativa da empresa e depois ir para casa cedo, eu prometi a minha filha que hoje teria pizza e eu jantaria com ela.”

Sim, toda essa conversa é real. E tudo isso aí em cima é verdade!

Eu escolho ouvir essa conversa e não dar atenção. É apenas uma conversa sedutora, destas que temos milhares de vezes ao dia, que nos tiram do trilho.

E a minha meta é terminar de escrever este texto até as 15h00 e publicá-lo até as 16h00.

Como vencer estas conversas e deslanchar?

Volte às seis ferramentas e se for necessário, refaça o caminho quantas vezes for necessário.

[CONCLUSÕES] “Toda a gente tem o seu lado obscuro que – desde que tudo corra bem – é preferível não conhecer.”- Carl Jung

A procrastinação não é uma doença, mas sim como decidimos levar a nossa vida. É um padrão de comportamento que geralmente afeta todas as áreas em que estamos envolvidos. Quem procrastina no trabalho, procrastina nos relacionamentos, procrastina na vida financeira e afetiva. Como todo padrão comportamental, ele pode ser mudado.

E a maneira mais fácil de se fazer isso é tomando consciência dele. Ao adquirirmos consciência, temos o conhecimento do que esta nos atrapalhando. Mesmo assim, apenas consciência não muda nada. Provavelmente só causará mais dor.

É necessário ter responsabilidade junto com a consciência para se escolher o que fazer com clareza. Mesmo que você escolha procrastinar, que o faça de maneira consciente, sabendo das suas consequências.

Esqueça essa baboseira de mudar comportamento. Mudar comportamento é chato, dói, e na maioria dos casos ninguém quer isso.

Queremos o que nos queremos oras! Se para isso tivermos que mudar algo, será porque a dor de não ter esta insuportável.

Eduardo Saigh é formado e pós-graduado em marketing pela ESPM. Atuou com sucesso na área de marketing e comunicação durante 8 anos, quando decidiu mudar de carreira e empreender na área de desenvolvimento humano. Após três anos na nova área, aceitou o desafio de fazer a restruturação da área de RH na Hays, uma das maiores consultorias de recrutamento e seleção especializadas do mundo. Atualmente é o head da Elliott Scott, multinacional especializada no recrutamento e seleção de profissionais de RH e sócio fundador da Peopleminin.
Postado por / 11/11/2018 / 0 Comentários
Tagueado como
Postado em
Carreira, Empregabilidade, Recursos Humanos
Eduardo Saigh

Eduardo Saigh

Eduardo Saigh é formado e pós-graduado em marketing pela ESPM. Atuou com sucesso na área de marketing e comunicação durante 8 anos, quando decidiu mudar de carreira e empreender na área de desenvolvimento humano. Após três anos na nova área, aceitou o desafio de fazer a restruturação da área de RH na Hays, uma das maiores consultorias de recrutamento e seleção especializadas do mundo. Atualmente é o head da Elliott Scott, multinacional especializada no recrutamento e seleção de profissionais de RH e sócio fundador da Peopleminin.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*
*

mautic is open source marketing automation