“Perdi o emprego e agora?” – Boas práticas para quando se perder o emprego

“Perdi o emprego e agora__ - Boas práticas para serem feitas quando se perde o emprego

“Perdi o emprego e agora?”

Calma. É o seu sempre digo para as pessoas que estão vivendo essa situação. Para quem é marinheiro de primeira viagem parece o fim do mundo. Imagens de miséria e humilhação vem a mente. Pessoas invadindo a sua casa, colocando a sua família para fora e penhorando todos os seus bens e coisas do tipo. Para quem já passou por essa experiência antes, sabe que isso é um exagero e que a vida não é um filme de drama americano.

A realidade é que perder o emprego é algo normal nos dias de hoje e não significa morrer por inanição sozinho no relento e nem significa que você não tem valor, ou mesmo está obsoleto.

Nada disso. Provavelmente você conhece ou já conheceu alguém que perdeu o emprego uma vez ou mais durante a vida. Nada de anormal. Afinal, em média, com o atual cenário de aposentadoria brasileiro, mudaremos de emprego cerca de 10 vezes antes de nos aposentarmos.

Portanto, se você perdeu o seu emprego e não sabe por onde começar, aqui estão algumas dicas que podem lhe ajudar nesse momento mudança.

“São sete passos para eu ter um novo emprego?”, você me pergunta.

Impossível dizer. Cada pessoa é única. Cada uma tem a sua trajetória profissional, história e momento. O que funciona para um, pode não funcionar para outro.

Os itens abaixo nada mais são do que boas práticas para estruturação consciente de uma estratégia para se buscar um novo emprego.

[SE DÊ UM TEMPO] Muitos desligamentos são traumáticos, inesperados e desrespeitosos. Outros são planejados, esperados e até emocionantes. Não importa a razão ou circunstância que fizeram com que você perdesse o emprego e nem o quão desesperadora a situação parece ser, mantenha a calma e tome um tempo para sí mesmo. Eu sugiro sempre o mínimo de 48 horas para se pensar na busca por um novo emprego, sendo que na maioria das vezes, uma semana já constitui um tempo razoável para colocar as ideias no lugar. Alguns profissionais aproveitam essa situação para tirarem férias, ficarem com a família por mais tempo e coisas do tipo. Se dar um tempo evita que tomemos decisões de cabeça quente e venhamos a nos arrepender depois.

[BUSQUE DE MANEIRA INTELIGENTE] Baterias recarregadas. Mente limpa. É hora de pensar no que fazer da vida. Algumas pessoas decidem que não é hora de inovar e continuam na mesma trilha profissional que vinham seguindo antes de serem demitidas. Outras, aproveitam esse momento para refletir e chegam à conclusão que é hora de algo novo. Uma nova carreira? Talvez. Transformar o hobbie em negócio? Parece bom.

Não importa. O importante é ir atrás daquilo que se deseja.

Se você optou por seguir na mesma carreira é hora de buscar um novo emprego. Se essa situação é nova para você, se você nunca tinha ficado sem emprego antes ou se a última vez que você ficou desempregado os currículos eram enviados pelo correio, fique tranquilo. A tecnologia aliada a comunicação nos garante uma gama enorme de informação que pode ser muito útil para entender como está o seu mercado de atuação e qual é o tipo de profissional que ele procura. Temos a nossa disposição uma tonelada de materiais de apoio sobre como criar um currículo, como se portar, o que dizer e como se vestir para ir a uma entrevista de emprego, como fazer networking etc.

Muita coisa. Nem sempre o que você vai achar é útil. Você perceberá que 90% do material é mais do mesmo. É como eu sempre digo, parecem escritos pela mesma pessoa e todos são meio óbvios, mas não desista.

Informe-se e absorva tudo o que puder. No pior das hipóteses, isso lhe dará senso crítico para saber o que é útil ou não para o seu contexto. Se você tiver recursos para investir em algum tipo de ajuda especializada, faça isso.

Por mais difícil que possa parecer, em meio a tantos pseudo-coachs-de-carreira que querem morder um pedaço da sua rescisão, existem profissionais muito bem qualificados e que poderão lhe orientar sobre como aumentar o seu nível de empregabilidade na área em que você deseja. Esse é o grande ponto: entender como o seu mercado contratante atua, ou melhor, como ele contrata.

Tendo recursos ou não, existe algo que você pode começar a fazer agora pelo seu próximo emprego. Essa é uma atividade básica que todo serviço de auxílio a pessoas que buscam um novo emprego oferece e de tão básico e simples, muitas vezes passa desapercebido por nós.

Essa atividade tem vários nomes, mas eu a chamo de mapeamento de oportunidades.

Passo 1: Escolha 50 empresas em que: 1-) você gostaria de trabalhar e 2-) tenham oportunidades diretas ou indiretas para o seu perfil.

Passo 2: Pesquise na sua rede de contatos se você conhece alguém que trabalha em uma dessas empresas. Pode ser um amigo, familiar, colega etc.

Passo 3: Veja se esse contato está disposto a apresentar o seu perfil ou mesmo lhe indicar para o RH ou mesmo diretamente para a área que você gostaria de trabalhar. Muitas vezes, o gestor da área em que você deseja trabalhar pretende aumentar ou reorganizar o time dele e uma indicação pode ser tudo aquilo que ele estava esperando para começar a se mexer.

Passo 4: Mesmo que essa empresa não tenha nenhuma posição divulgada nos seus canais de atração de novos talentos, disponibilize o seu perfil para o RH ou para o líder da área que deseja atuar. O não de hoje, pode ser o sim de amanhã.

Passo 5: Monitore. Essa é uma etapa importante em um processo de recolocação, que muitas vezes é negligenciada. Monitore frequentemente as atividades das empresas em que você deseja trabalhar. Muitos negócios têm períodos de contratação específicos outros tem crescimento lento e planejado. Alguns são caóticos, com um entra e sai de pessoas sem fim. Saiba como seu alvo funciona. Isso é importante por dois motivos: saber a hora de agir e administrar a sua ansiedade por um novo emprego.

Não conhece ninguém dentro dessas 50 empresas? Comesse a criar conexões.

[ONLINE É BOM, MAS OFFLINE É MELHOR] Outro ponto que deve ser levado em conta é não gastar todo o tempo disponível na busca por um novo emprego online.  No começo da jornada eu sugiro que seja gasto 60% do tempo disponível buscando oportunidades nas mais diversas ferramentas e canais disponíveis na internet. É importante saber como o Linkedin funciona, quais aplicativos são os mais indicados para o seu perfil etc. Após esse período de descoberta, é importante delimitar um tempo diário para o ambiente virtual e para o real. Algumas pessoas preferem fazer as suas pesquisas e candidaturas online na parte da manhã, logo cedo, no horário em que estariam indo para o trabalho. Elas sentem que assim ganham mais tempo e já começam o seu “expediente” com uma meta em vista. Outras preferem deixar para o final do dia, quando estão mais calmas e tem mais tempo para se dedicar a esse tipo de processo. Ache o jeito que funciona melhor para você. O essencial é se manter em movimento o tempo todo e saber que é preciso mesclar atividades online e offline.

[ADQUIRA INFORMAÇÃO] No fim das contas, a busca por um novo emprego é a busca por informação e a melhor maneira de conseguir informações é conversando com as pessoas. O tipo de informação que você está procurando inclui nomes de pessoas que trabalham nas empresas em que você está interessado, conhecer a cultura dessas empresas (e se irão corresponder ao que você está procurando), quais são as habilidades que as empresas mais valorizam e se existe um planejamento para contratação de novos colaboradores.

Nunca assuma que você sabe todas as respostas.

Quanto mais você aprende, mais preparado se torna. E quanto mais preparado maiores são as chances de conseguir um novo emprego.

[ESTRUTURE A SUA SEMANA] Uma das grandes reclamações das pessoas que estão sem emprego é o vazio que falta de rotina causa. Se pararmos para pensar, uma pessoa que trabalha 8 horas por dia e gasta em média uma hora para ir e vir do seu trabalho, mais uma hora de almoço, tem pelo menos 11 horas do seu dia tomado por uma rotina fixa de segunda a sexta. Por isso é importante criar uma rotina semanal, como se estivesse indo para o seu antigo emprego. Isso ajudará a manter certos hábitos que certamente voltarão a se tornar frequentes assim que se conseguir um novo emprego, como acordar cedo, ter um horário definido de almoço e término do expediente. É importante colocar rotinas diárias especificas para a busca por um novo emprego. Isso deve incluir eventos de networking, cafés com amigos, reuniões com pessoas desconhecidas, trabalho voluntario, investimento em treinamentos formais ou informais e até reservar um tempo para se dedicar a hobbies e coisas que você gosta.

[POUPE E TENHA UM PLANO B] Essa talvez seja a grande preocupação de todas as pessoas que estão em busca de um novo emprego: Como fazer para pagar as contas caso não se consiga um emprego antes das economias acabarem? É aqui que entra o plano B.

Ninguém deseja ficar desempregado e passar por situações que muitas vezes se assemelham ao pior dos pesadelos, mas imprevistos acontecem e precisamos estar preparados.

Quando falamos em plano B para quem busca um novo emprego, basicamente, temos dois cenários: pré-demissão e pós-demissão. O cenário pré-demissão geralmente é marcado por períodos de calmaria e estabilidade, onde a busca por um novo emprego pode nem ser o foco ou mesmo o risco de ser demitido é pequeno. É nessa situação que devemos nos preocupar em construir uma saúde financeira que nos suporte nos momentos difíceis. Existem diversas metodologias e inúmeros conteúdos de como economizar e poupar recursos ao longo do tempo. Não vou me alongar muito aqui. Eu acho que esse tipo de tema é pessoal e cada pessoa deve buscar o método que funcione melhor para a sua realidade. Para mim, o trabalho do Eduardo Amuri foi o que mais funcionou para mim.

O que importa aqui é: quanto mais se poupa nos momentos fáceis, mais fáceis se tornam os momentos difíceis. Portanto, poupe o que puder nos bons momentos. Isso lhe dará folego e tranquilidade quando for preciso. O momento pós-demissão tende a ser marcado por estresse e preocupações sobre o futuro. É nesse momento que todos os recursos poupados no passado se mostram valiosos, garantido minimamente paz de espírito para tomar decisões que não sejam baseadas em emoções e boletos vencidos.

Porém, por mais recursos que se tenha poupado, é necessário pensar em uma fonte de renda alternativa. Infelizmente, é impossível prever quanto tempo alguém ficará buscando um novo emprego. Um dia ou uma semana para alguns, 3 a 6 meses para outros ou até anos e anos em busca de um novo trabalho para outros. Impossível dizer. Por isso, pensar em fontes alternativas de renda é tão importante.

Algumas alternativas como fontes de renda extra:

Compartilhar conhecimento: Muitas pessoas têm profissões e/ou detém um nível de conhecimento técnico e tático profundo sobre algo. São conhecidos e reconhecidos pelo seu conhecimento, experiência e performance em determinada área e podem muito bem fazer uso de conhecimento para aumentar a sua renda. Consultorias, projetos com data de começo e fim, são alguns exemplos desse tipo de trabalho.

Empreendedorismo: Caminho que muitas pessoas seguem ao perder o emprego ou mesmo no momento entre o seu antigo e o seu novo emprego. Muitas vezes o negócio já era um sonho antigo, mas é comum vermos pessoas investirem recursos em áreas de negócios desconhecidas ou que tenham pouca afinidade. É interessante ver que algumas pessoas conseguem ter um desenvolvimento tão bom nos seus negócios que acabam desistindo de voltar ao mercado tradicional de emprego e resolvem se dedicar exclusivamente aos seus novos negócios.

Dinheiro rápido: Como diz o mestre Richard Nelson Bolles, existem dois tipos de pessoas que buscam por um novo emprego, as que tem pressa e as que não tem pressa. Se você tem pressa, certamente um dos motivos dessa urgência está ligada a dinheiro e isso é sinal de que você precisa movimentar rapidamente a sua fonte de renda alternativa. Uma das opções é recorrer a atividades que gerem dinheiro quase que instantaneamente, como por exemplo, motorista de aplicativo ou mesmo atividades de venda por comissão.

Conheço algumas pessoas que adotaram essa estratégia enquanto buscavam por um novo emprego. Fácil? Nem um pouco. Mas são opções válidas diante de um cenário caótico onde as coisas não saem como o esperado. Eu sempre cito esses exemplos: eu pego Uber/99 todos os dias há pelo menos 4 anos e sempre que é possível, eu converso com o motorista. Nessas idas e vindas, já conversei com 2 CEO’s de grandes empresas, um CFO de multinacionais e um gerente regional da indústria farmacêutica. Diferentes pessoas e cargos, mesmo momento: precisavam de recursos financeiros rápido e dirigir para outras pessoas apareceu como a solução rápida e prática. Entre uma corrida e outra, faziam entrevistas e participavam de processos seletivos.

Eu mesmo fui testemunha ocular de um caso assim. Conduzi um processo em meados de 2016/2017, e uma das candidatas selecionados era motorista de aplicativo. Durante o processo seletivo, ela me confidenciou que a situação dela não estava das melhores e precisou recorrer a essa opção para pagar as contas do dia a dia. Foi curiosa a nossa dinâmica, porque alinhavamos as entrevistas dela no meu cliente nos horários de menor volume para não prejudicar os seus rendimentos como motorista.

[PREPARE-SE PARA UMA MARATONA] Por pior que seja ouvir isso, a busca por um novo emprego pode se tornar uma maratona. Por isso, é importante cuidar do corpo e da mente. Muitas pessoas que estão em busca de um novo emprego se esquecem de ter cuidados com o corpo, mente e espírito (para quem acredita), e acabam sendo consumidos pela ansiedade, síndrome do pânico, tristeza profunda e depressão, e um outro sem número de doenças psicológicas, que acabam dificultando ainda mais um momento que já não é dos melhores.

Portanto, levar minimante uma vida saudável é importante. Dormir e comer bem, se alimentar adequadamente e se exercitar. Encontrar o equilíbrio entre mente e corpo. Ter cuidado consigo mesmo não é importante apenas para garantir uma boa vida, mas também para garantir a energia necessária e o ânimo durante longos processos seletivos.

 

Eduardo Saigh é formado e pós-graduado em marketing pela ESPM. Atuou com sucesso na área de marketing e comunicação durante 8 anos, quando decidiu mudar de carreira e empreender na área de desenvolvimento humano. Após três anos na nova área, aceitou o desafio de fazer a restruturação da área de RH na Hays, uma das maiores consultorias de recrutamento e seleção especializadas do mundo. Atualmente é o head da Elliott Scott, multinacional especializada no recrutamento e seleção de profissionais de RH e sócio fundador da Peopleminin.

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