Onde estão e onde estarão os empregos em tempos de COVID-19

Onde estão e onde estarão os empregos em tempos de COVID-19

O título do texto é a famosa pergunta de um milhão de dólares. Antes de mais nada, longe de mim querem ser uma espécie de guru ou aquelas pessoas que se promovem como sabedores de tudo ou que tenham uma fórmula-mágica-que-tudo-resolve-em-7-passos “e o 8° passo você compra clicando aqui”. Nada disso. O intuito desse texto é ajudar quem está buscando por um novo emprego ou quem pensa em buscar novos ares profissionais ao final da pandemia.

Muita coisa foi e está sendo dita a esse respeito e aos poucos o cenário está ficando menos nebuloso. A verdade é que ninguém tem certeza sobre nada. O COVID-19 é um adversário astuto que se move rápido e muda toda e qualquer previsão de cenário de médio prazo.

Tenho a impressão de que o começo e o fim são minimamente visíveis, mas o meio desse processo, o recheio, ainda é uma incógnita. De imediato, é o recheio que nos interessa. Ele é a transição entre a realidade que tínhamos pré-COVID-19 e o que vai nos levar para o período pós-COVID-19.

MÉDIO PRAZO – ONDE ESTÃO DOS EMPREGOS

A minha premissa para entender onde estão os empregos em médio prazo de tempo, e estimo essa medida de tempo entre o final de abril até o final de setembro, é entender o nosso comportamento de consumo. Na minha visão, é ele quem vai ditar grande parte das regras nos próximos 3 ou 4 meses. A longo prazo, ou seja, a partir de outubro, o cenário muda em decorrência das mudanças que estão sendo iniciadas agora, mas não estão disponíveis, seja pela própria conclusão ou pela maturidade do consumo. Timing é tudo.

Para entender onde estão os empregos durante a pandemia é preciso entender sobre comportamento humano. Temos dezenas de teorias, métodos e estudos sobre isso, mas o que eu considero o mais simples e objetivo, é a boa e velha Pirâmide de Maslow, também conhecida como “hierarquia das necessidades”. Ela servirá de base para mapearmos possíveis oportunidades profissionais. Vou falar rapidamente sobre ela e o seu criador. Coisa rápida, prometo.

Quem foi Abraham Maslow?

Não foi fornecido texto alternativo para esta imagem

Abraham Harold Maslow (1908 — 1970) foi um psicólogo e pesquisador norte americano. Trabalhou para o MIT, tendo fundado o centro de pesquisa National Laboratories for Group Dynamics. O conceito da hierarquia das necessidades foi criado na década de 50 com o objetivo de determinar o conjunto de condições necessárias para que um indivíduo alcance a satisfação, seja ela pessoal ou profissional. De acordo com a teoria, nós vivemos em busca da satisfação de determinadas necessidades. Para Maslow, a busca de satisfação dessas necessidades é o que gera a força motivadora nos indivíduos. Desde então, a pirâmide de Maslow é usada para demonstrar a hierarquia dessas necessidades. Ela descreve quais são as mais básicas (base da pirâmide) e as mais elaboradas (topo). As necessidades base são aquelas consideradas necessárias para a sobrevivência, enquanto as mais complexas são necessárias para alcançar a satisfação pessoal e profissional. Resumindo, as necessidades:

Necessidades Fisiológicas: Tratam-se das mais básicas necessidades, que precisam ser saciadas para manter o corpo saudável e garantir a sobrevivência. Por exemplo: Processos de homeostase (sentimento da temperatura corporal, funcionamento hormonal, entre outros), processos de respiração, sono e digestão, saciamento de fome e sede e disponibilidade de abrigo. Por serem a base da pirâmide, Maslow acreditava que sem essas necessidades supridas, a pessoa não se preocuparia com os níveis seguintes.

Necessidades de Segurança: Segurança engloba mais do que a presença de um abrigo. Esse nível da pirâmide trata das sensações de proteção e garantias de soluções perante a situações que estão fora do controle do indivíduo. Por exemplo: Estabilidade no emprego: renda garantida. Segurança do corpo: abrigo seguro, proteção contra ameaças. Segurança da saúde: planos de saúde, ausência de doenças. Segurança da família: seguros de vida. Segurança da propriedade: casa própria, garantia de proteção aos seus bens.

Necessidades de Amor e Relacionamentos: Necessidades relacionadas com o senso de pertencimento e intimidade, dois fatores essenciais para a felicidade humana. Veja alguns exemplos: Amizades, família, relacionamentos amorosos, intimidade sexual, intimidade platônica, pertencimento a grupos ou sociedades (igreja, escola, grupos de atividades, grupos de interesses em comum) e identificação e aceitação perante a seus pares.

Necessidades de Estima: Além de manter relacionamentos, o ser humano também tem a necessidade de sentir-se querido/bem-quisto neles. Precisa que seus pares reconheçam e identifiquem seu valor no grupo. Exemplos: Autoestima, confiança, conquistas e realizações, reconhecimento dos pares e respeito dos outros.

Necessidades de Realização Pessoal: Tratam-se das mais complexas necessidades do ser-humano. Entretanto, são essenciais para que o indivíduo alcance a verdadeira realização. Exemplos: Moralidade: definir e seguir o seu próprio sistema moral. Valores: conhecer e se ater aos seus valores fundamentais. Independência: auto-suficiência e liberdade. Criatividade: rotina que possibilita que o indivíduo exercite suas capacidades inovativas. Espontaneidade: capacidade de agir de maneira autêntica e congruente com seus pensamentos. Controle: possuir o controle de suas emoções e ações. Autoconhecimento: entender seus objetivos, potencialidades e pontos fracos.

Esses são os cinco elementos básicos que compõe a tradicional pirâmide de Maslow. Depois, o próprio Maslow acrescentou mais três itens:

Necessidade de aprendizado: o indivíduo sente ânsia de aprender, conhecer e compreender o mundo à sua volta.

Necessidade de satisfação estética: a busca pela perfeição, simetria, beleza e arte.

Necessidade de transcendência: fé, espiritualidade, conexão com a natureza, aceitação da mortalidade.

Pois bem, apresentações feitas, é hora de começar a usar a pirâmide ao nosso favor. Perceba que a quarentena mexe diretamente com as bases da pirâmide, necessidades fisiológicas e de segurança, e isso reflete no comportamento de compra, que reflete no mercado, que olha só, reflete nas oportunidades profissionais.

Prova disso é a recente pesquisa divulgada pela ABComm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico), que mostra um aumento significativo no consumo das categorias de Supermercados (80%), Saúde (111%) e Beleza e Perfumaria (83%). Por outro lado, segmentos como Câmeras, Filmadoras e Drones (-62%), Games (-37%), Eletrônicos (-29%) e Automotivo (-20%), apresentaram forte queda no período.

André Dias, diretor executivo do Movimento Compre & Confie, parceiro da ABComm nesse estudo diz o seguinte:

“Houve uma mudança significativa no comportamento do consumidor com a chegada da Covid-19. Setores que geralmente apresentam bons resultados tiveram queda significativa, enquanto outros, de menor porte no e-commerce, ganharam o protagonismo. A tendência é que o cenário continue dessa forma, com consumidores cada vez mais engajados nas compras à distância e movimentando de forma significativa o consumo de categorias relacionadas às necessidades básicas do dia a dia e ao esforço de prevenção da Covid-19”.

Nos itens ligados a saúde, as vendas de álcool em gel dispararam quase 5.000% no período. Em seguida, houve aumento nas vendas de inaladores (900%), termômetros (843%), soro fisiológico (316%), luva cirúrgica (118%), produtos para higiene íntima (98%) e sabonetes (58%). Já entre os produtos de supermercado, os mais procurados durante o período de confinamento em casa foram hambúrgueres (283%), petiscos e empanados (173%), conservas e enlatados (166%), patês e antepastos (141%), macarrão instantâneo (68%) e salgadinhos (58%).

Um estudo feito pela Kantar, durante o período de 16 a 22 março, registrou um aumento interessante de venda em produtos de higiene pessoal, limpeza e cuidados. Só a compra de papel higiênico apresentou crescimento de 211%. O aumento na busca de produtos de limpeza e cuidados com a casa foi de 98%, enquanto o setor de detergentes registrou crescimento de 79% de vendas.

Além da mudança no perfil dos produtos comprados, temos uma mudança interessante no canal utilizado para compra. As vendas online cresceram cerca de 40% na primeira quinzena de março, quando comparado ao mesmo período do ano anterior. Portanto, em meio a toda essa crise, cenário nebuloso e caos, podemos afirmar que bens de consumo ligados a alimentação e saúde estão tendo maiores demandas e onde existe demanda, existe oportunidade.

Seguindo essa linha de raciocínio apontada pela pirâmide das necessidades e com alguns estudos da McKinsey e de Harvard, eu concluo que toda a cadeia de fornecedores que suportam os seguintes mercados (além dos próprios mercados, é claro) terão maiores probabilidades de ter oportunidades profissionais. Mas, isso não é garantia de vida fácil ou que escapem incólumes a pandemia, uma hora ou outra, mudanças terão que ser feitas.

Agronegócio: Agro é pop. Agro é tech. Agro é foda. Sem entrar em discussões sobre o agronegócio e a cultura do latifúndio, os vários mercados e nichos que compõe o agronegócio apresentam boas perspectivas de oportunidades profissionais. O setor sentiu a queda de consumo do mercado chinês por conta do COVID-19, mas já mostra sinais de recuperação a medida que a saúde chinesa melhora. Por mais que o preço das commodities tenha caído, o dólar veio tendo ao longo do ano de 2019 e começo de 2020, grandes aumentos em comparação ao real e isso se traduz em ganho para o setor, em decorrência do câmbio. As commodities são negociadas em dólar mas tem o custo baseado na moeda local. O dólar subiu 40% acima da média histórica, ou seja, para quem importa é um cenário complicado, mas para quem exporta é um cenário positivo. Mas, a exemplo de outros mercados, o perfil de consumo ainda é quem manda, por isso acho que devemos ter um maior consumo de ovos, frangos e suínos em detrimento da carne do boi. O boi custo mais caro para criar, logo, tem um custo maior para o consumidor. Suínos e aviários tem custo de criação menor, logo custam menos.

Nichos específicos como ração animal e fertilizantes precisam ser acompanhados de perto.

Bens de Consumo: Bebida, comida (inclusive congelada), itens de limpeza e higiene pessoal continuarão em alta. Se não estivermos enfrentando um problema que afete diretamente a nossa produção de comida, sempre haverá consumo. O aumento no consumo de itens de limpeza e higiene são reflexos diretos da preocupação com o contágio pelo COVID-19. É por isso que o varejo de alimentos continua contratando, é preciso reforçar as operações como um todo.

Mídia: A empresa Comscore fez um estudo para medir a audiência em plataformas digitais brasileiras durante a pandemia do COVID-19. O estudo foi realizado entre 9 a 15 e 16 a 22 de março. O estudo mostra que a categoria Noticias teve um crescimento de 42,6% (foi de 725 milhões para 1,03 bilhão de acessos), outro seguimento com um aumento expressivo foi o de conteúdos familiar e jovem, reflexo claro da interrupção das aulas de crianças e adolescentes, que teve aumento de 43,1% (de 637 para 912 milhões de acessos). Outros segmentos que apresentaram aumento foram: Jogos (20%), Entretenimento (22,8%) e Redes Sociais, que teve não só aumento de 26,2% no consumo, como um crescimento de 19% no tempo médio de permanência. Em contrapartida, eu desconfio que o cenário da mídia offline venha sofrendo bastante com toda essa situação, fazendo um contraponto nesse setor.

Tecnologia: A tecnologia vem sendo o grande suporte para todos os envolvidos na pandemia do COVID-19. É difícil pensar em algum momento ou movimento de consumo em que a tecnologia não esteja direta ou indiretamente ligada. Segundo a consultoria Context, as vendas de notebooks aumentaram 51% nas primeiras semanas de março na Europa. Na Itália, as vendas cresceram 110%, Espanha 87%, Alemanha 52% e Reino Unido 50%. Até a venda de desktops cresceu, 9%. Seria leviano da minha parte apontar que tudo são flores na área de tecnologia, porque não são. Tenho visto dezenas de empresas do segmento demitirem ou fecharem as portas. A chave para entender onde estão as oportunidades dentro do segmento de tecnologia a curto prazo é olhar a pirâmide das necessidades com um olhar adaptado ao mundo em que vivemos, onde a tecnologia deve ser vista como uma necessidade básica, talvez de segurança. A consultoria Kaspersky, especializada em segurança digital, aponta um aumento de 350% nas tentativas de golpes digitais no primeiro trimestre desse ano. A consultoria aponta que o aumento de crimes cibernéticos está intimamente ligado à adoção do home office frente ao COVID-19. A empresa ainda cita um aumento de 40% no número de empresas que identificaram ataques digitais contra suas infraestruturas, a maioria deles utilizando a doença como tema.

Distribuição de Suprimentos de Saúde: Com os hospitais cada vez mais lotados, não é preciso deduzir que todo tipo de aparelho, utensílio etc., que seja usado no atendimento médico durante a pandemia tenha uso e procura altas. Entrando diretamente no tema de saúde, vale citar a busca por profissionais capacitados para o cuidado dos doentes. Enfermeiros e médicos, estão sendo muito solicitados e, merecidamente, reconhecidos pelo trabalho de risco que sofrem para nos ajudar. É importante dizer que não só a cadeia de produção desses utensílios, mas a importação e distribuição. Muitos deles são importados e requerem processos específicos de importação, desembraço etc. Não é exclusividade desse setor, mas a área de logística também está aquecida com posições de motoristas de caminhão e outras posições especificas dentro da área.

Farmacêuticas: O mercado farmacêutico vê na pandemia mais uma alavanca para o seu crescimento (sem nenhum julgamento de valor da minha parte). Empresas farmacêuticas estão trabalhando incessantemente para a encontrarem uma vacina para o COVID-19 ao mesmo tempo que veem uma alta busca por remédios e soluções contra gripe e problemas respiratórios. Uma parte desse consumo se deve ao obvio desejo de prevenção e segurança por parte da população, que pode levar a um consumo exagerado de vitaminas (principalmente a C) e tudo aquilo que é associado a saúde e bem estar. Um dado interessante é que durante o período de 15 a 23 de março, farmácias e drogarias do Brasil tiveram variação de faturamento no dia vs. dia médio de 13%. Esse segmento continua com demandas de farmacêuticos e atendentes.

Varejo online: Se o varejo tradicional, offline, sofreu uma queda absoluta nas suas operações, como já dito, o varejo online vem mostrando força e crescimento imparável. É interessante ver esse movimento. Analisando friamente, as pessoas continuam consumindo, só mudaram a maneira. Segundo um estudo de uma grande empresa de serviços financeiros, durante o período de 15 a 23 de março, a variação de faturamento no dia versus dia médio, do Brasil, via e-commerce, para bares e restaurantes, pela modalidade crédito foi de 69%. Os aplicativos de entrega relatam crescimento nas suas operações por conta da quarentena. Deixamos de ir, mas não deixamos de comer. Não quero entrar em nenhum mérito sobre a legitimidade das pessoas que fazem as entregas e prestam serviço para esses aplicativos, mas a verdade é que são uma opção válida para quem precisa trabalhar e ganhar dinheiro urgente. Outro ponto importante a ser dito sobre esse mercado é adaptação forçada que muitos bares e restaurante fizeram para continuarem atendendo as demandas do mercado. Pensando sobre a dinâmica clássica de um bar ou restaurante, penso que nessa realidade, a busca por cozinheiros deve subir em detrimento da queda de garçons. E claro, o ponto forte do aumento expressivo do mercado online é a entrada de grandes varejistas, até então sem estruturas para e-commerce, que investiram rapidamente e se adaptaram as novas necessidades e perfil de consumo. Cresceram as demandas por consultores de vendas, vendedores e representantes comerciais com atuação home office.

Tecnologia Médica: O COVID-19 acelerou a aprovação, uso e senso de urgência em uma série de áreas, inclusive na medicina. Se fez necessário se adaptar a velocidade do vírus e buscar meios para combatê-lo com eficiência e rapidez. Exemplo disso é a telemedicina, que estava engavetada a anos e foi rapidamente sancionada à medida que o vírus se espalha. Temos ainda como exemplo e possível fonte de oportunidades profissionais, toda e qualquer solução, seja um aplicativo, inteligência artificial ou mesmo teste mais veloz de detecção do vírus.

Químico: Tudo é química. Talvez, tirando os componentes usados pela indústria automobilística, construção civil e linha branca, o setor químico tende a ter boas oportunidades profissionais. Mas, é preciso entender a dinâmica de cada empresa, uma vez que, assim como o mercado Agro, ele não oferece a opção de trabalho remoto para o seu funcionamento. Indústrias que forneçam insumos para embalagens, pigmento, plástico e praticamente tudo aquilo que é físico e não é de ferro ou madeira, em linhas gerais, terão boas perspectivas.

[CENÁRIO COMPLICADO] Setores de turismo (hotéis e cruzeiros), aviação (combustível em dólar), automotivo, construção civil e imobiliário tendem a sofrer diretamente os impactos da pandemia e da quarentena podendo ter desligamentos, interrupção da jornada de trabalho e até falência.

[NÃO TEM VAGA PARA MIM.] O COVID-19 mexeu com a nossa economia e mexeu rápido. Isso teve um impacto significativo nos processos seletivos de média e alta gestão, uma vez que a prioridade da maioria das empresas mudou. O plano que era de crescimento e expansão, passou a ser de controle de custos e sobrevivência. Deixou-se de olhar para o futuro para focar no presente. Isso explica a busca por profissionais de nível operacional e tático e poucas opções para os cargos e atuação ditas “estratégicas”.

A tabela abaixo ajuda a entender bem esse movimento. Se você quiser ver a tabela em um tamanho maior, clique com o botão direito sobre a imagem e escolha a opção “Abrir imagem em uma nova guia”.

Clique com o botão direito sobre a imagem e escolha a opção "Abrir imagem em uma nova guia" para ver a tabela em maior tamanho. Basicamente, até o final da pandemia, o mercado focará a sua busca em profissionais com níveis de complexidade 1 e 2, sendo o nível 3 menos desejado do que 1 e 2, mas mesmo assim com oportunidades. Quando o mercado der sinais de retomada, com um mínimo de visibilidade e segurança, os profissionais com atuação de complexidade 4,5 e 6 começaram a ser requisitados e de uma maneira geral, o mercado de trabalho se equilibrará.

A minha dica para os profissionais que estão com dificuldades de recolocação mas não estão desesperados com a sua situação financeira e conseguem arcar com as suas contas até, digamos setembro, é de aproveitar a agenda flexível para se atualizarem e se tornarem mais competitivos para o cenário que virá.

Leia: Coronavírus e o impacto nos processos seletivos.

ONDE ESTARÃO AS VAGAS?

Soando como um Oráculo do Óbvio*, as oportunidades do futuro estão sendo criadas e geradas agora, com base do comportamento de consumo e de como cada mercado vem se comportando frente ao COVID-19. Eu não acredito em mudanças mirabolantes ou “inovações inéditas”. Afinal, o famigerado futuro chegou e ele é…home office. Uau. O que veremos é a evolução de maneiras já existentes de fazer negócio e o contraponto de alguns comportamentos que estavam, digamos, enraizados de 2010 para cá.

Shopstreaming: Também chamado de Lifestreaming é a evolução das compras online. Basicamente, desde que a internet se popularizou e junto com ela a possibilidade de fazer compras online, replicamos o comportamento básico de compra do mundo offline para o mundo online. Compra, venda e entrega. No meio destas três etapas básicas temos empresas de meio de pagamento e logística. Simples.

A evolução deste modelo, que não necessariamente, aposentará o modelo tradicional de compra é o Shopstreaming, em tradução livre “comércio ao vivo”, que é a junção de comercio online com transmissão ao vivo. A modalidade já é responsável por cerca de 10% das vendas de e-commerce na China. O desafio é a integração das várias tecnologias ao processo de compra de algo que está acontecendo ao vivo. Será interessante ver como essa modalidade de compra influenciará a relação dos chamados “Influencers” com os seus anunciantes e patrocinadores, uma vez que a monetização e vendas serão em tempo real.

Quer saber mais? Procure por TaoBao do Alibaba.

Compras Coletivas: O problema das compras coletivas no mundo, principalmente no Brasil, foi o timing. As empresas que surgiram no final da década não pegaram o uso das mídias sociais em plena potência como vemos hoje e isso certamente contará à favor para o retorno dessa modalidade de compra.

Segurança Digital: Oportunidade hoje e oportunidade para o futuro próximo. Com a digitalização de muitos processos, comportamentos e costumes, nada mais óbvio do que a digitalização do crime e do mau-caratismo. Para combater essa realidade, a sociedade precisará de pessoas hábeis no xadrez da segurança digital.

Educação à Distância: Isso não tem nada a ver com aulas gravadas ou mesmo replicar o modelo expositivo atual para o mundo digital, com professores e alunos sentados na frente do computador. A educação passará por uma simples, mas fundamental mudança, onde o foco das soluções será em quem aprende e não em quem ensina. A prova cabal de que o modelo tradicional pode ser melhorado é o desespero das escolas e instituições de ensino em adaptar o ensino remoto em meio a quarentena.

Atendimento ao Cliente: Com o crescimento e solidificação da economia digital e tudo o mais que ela carrega, será necessário dar suporte aos clientes. É interessante notar que a consolidação da economia digital implica que todo cidadão é um potencial cliente para algum tipo de produto ou serviço comercializado online. Logo, o mesmo desafio que as empresas têm na gestão de colaboradores de até 5 gerações diferentes será duplicado, uma vez que teremos o ingresso dos chamados analfabetos digitais em massa no mercado digital.

Para a sobrevivência nesse cenário competitivo, o atendimento ao cliente poderá ser a chave para o sucesso.

Chatbots? Inteligência Artificial? Sim, uteis com certeza. Mas eu aposto que o segredo para um atendimento exemplar será o atendimento humano. Não sou contra o uso de tecnologia nos primeiros níveis de atendimento, pelo contrário. Acho que muitos problemas podem ser sanados rapidamente através dessas ferramentas, mas o ponto nesse contexto não é só resolver problemas sistêmicos ou processuais, mas além disso, ensinar o consumidor a consumir.

Uso o exemplo de uma grande empresa de TI brasileira que através do uso de people analytics em conjunto com outras disciplinas, mudou o perfil dos profissionais da área de atendimento ao cliente. Antes da mudança, os atendentes tinham uma determinada faixa etária, que representava bom conhecimento de tecnologia, mas péssima interação com pessoas o que gerava um alto número de reclamações, clientes insatisfeitos e obviamente, contratos cancelados. O estudo concluiu que atendentes com maior faixa etária, com pouca experiência em tecnologia, mas ótima interação com pessoas seria o mais indicado para atender o perfil de clientes da empresa.Afinal, conhecimento técnico se ensina rápido, paciência e educação, não.

Mudança feita. Cliente satisfeito. Cliente satisfeito, empresa lucrativa.

Seguros: Muito dinheiro foi e será perdido com a pandemia e isso certamente terá consequências no perfil dos investidores. Não acredito em uma mudança radical, como por exemplo deixar de investir em start-ups ou algo assim. Mas acredito que os investidores diversificarão ainda mais a sua carteira de investimentos, buscando alternativas tradicionais que tragam segurança em detrimento de um rendimento menor e o mercado de Seguros é uma boa opção para isso. Outra boa oportunidade que surge nesse campo é a de consultor em Gestão de Riscos, tanto para pessoas físicas como jurídicas.

Suporte ao trabalho remoto: Em algumas empresas o home office era visto como um benefício, em outras como uma modalidade de trabalho corriqueira, mas a verdade é que antes da pandemia e da quarentena, poucas empresas permitiam o home office. O novo cenário abriu um leque interessante de possibilidades para todo tipo de serviço que atenda a essa realidade. Aluguel de móveis para escritório, help desk virtual, aluguel e assistência técnica, soluções para assinatura de contratos válidos legalmente e etc., são alguns exemplos que podem ser explorados.

[DESEMPREGO E SUICÍDIO] Acho importante alertar sobre essa correlação. O suicídio é um tema pouco falado por medo de que encoraje as pessoas a comete-lo. Não quero entrar nesse mérito. O fato é que existe uma ligação entre as pessoas que tem dívidas, problemas financeiros e/ou estão desempregadas e o surgimento da depressão e do ato do suicídio.

Portanto, tratar de empregabilidade e carreira é um ato, antes de tudo, social e cívico.

Mesmo sendo muito pequeno à época, eu acho algumas características da pandemia causada pelo COVID-19 semelhantes ao que vivemos no Plano Collor: pessoas perdendo os empregos do dia para noite, ansiedade e desespero. Diferente dessa realidade, a crise presente tem data para acabar e será logo. Portanto, é tempo de temperança e atenção.

Se você precisa de ajuda ou conhece alguém que precise, busque ajuda. Minha sugestão é o CVV – Centro de Valorização da Vida – Telefone 188.

Leia também: Finanças Pessoais – Sugestões para lidar com o seu dinheiro em meio ao COVID-19

[PALAVRAS FINAIS] Textão. Mas é impossível para mim tratar de um assunto tão delicado de maneira diferente. Acho importante as pessoas saberem os mecanismos que regem o mercado do emprego e como ele tende a funcionar para melhor se prepararem.

Tenho convicção de que essa fase passará o quão logo seja possível e que todas as oportunidades por mim descritas aqui se concretizarão.

O futuro chegou e não tem carro voador. Ele é simples como trabalhar de casa.

*Oráculo do Óbvio: Termo invetando por mim para designar todo tipo de profissional que trata obviedades como se fossem grandes descobertas, tendências e “hype”.

Eduardo Saigh é formado e pós-graduado em marketing pela ESPM. Atuou com sucesso na área de marketing e comunicação durante 8 anos, quando decidiu mudar de carreira e empreender na área de desenvolvimento humano. Após três anos na nova área, aceitou o desafio de fazer a restruturação da área de RH na Hays, uma das maiores consultorias de recrutamento e seleção especializadas do mundo. Atualmente é o head da Elliott Scott, multinacional especializada no recrutamento e seleção de profissionais de RH e sócio fundador da Peopleminin.
Postado por / 20/04/2020 / 0 Comentários
Tagueado como
Postado em
Carreira, Empregabilidade, Recursos Humanos
Eduardo Saigh

Eduardo Saigh

Eduardo Saigh é formado e pós-graduado em marketing pela ESPM. Atuou com sucesso na área de marketing e comunicação durante 8 anos, quando decidiu mudar de carreira e empreender na área de desenvolvimento humano. Após três anos na nova área, aceitou o desafio de fazer a restruturação da área de RH na Hays, uma das maiores consultorias de recrutamento e seleção especializadas do mundo. Atualmente é o head da Elliott Scott, multinacional especializada no recrutamento e seleção de profissionais de RH e sócio fundador da Peopleminin.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*
*

mautic is open source marketing automation