Home Office de A a Z – Guia básico para profissionais que nunca trabalharam remotos

Home Office de A a Z – Guia básico para profissionais que nunca trabalharam remotos

Apesar do alarde, dos posts, das mensagens e vídeos sobre o Home Office a verdade é que grande parte das empresas ainda não implantou a política em 100% das situações onde é possível o trabalho remoto. Não podemos nos esquecer de que existem realidades onde o trabalho remoto não é possível. Nesses casos, cada empresa terá que avaliar cuidadosamente qual medida tomar para não cruzar a linha tênue entre o lucro e a saúde de seus funcionários.

Esse texto não se destina as empresas, mas sim para os profissionais que são marinheiros de primeira viagem no modelo de trabalho Home Office. Eu comecei a trabalhar nesse modelo em 2013 e a minha adaptação foi um pesadelo. Antes, só havia trabalhado no modelo tradicional e o trabalho remoto me soava como um sonho inatingível e por vezes coisa de vagabundo – mas isso era invejinha minha. Nessa época eu acreditava que todo mundo que trabalhava remoto, trabalhava de pijama e assistia TV o dia todo.

Nessa época, eu tinha começado a empreender e por conta dos custos, coworking e coisas do tipo eram caros para mim. Portanto, trabalhar em casa parecia ser a melhor opção a única na verdade.

Ao longo do tempo eu fui aprendendo e me adaptando a rotina e hoje eu afirmo que a minha performance é igual ou maior em Home Office do que no escritório.

Vou compartilhar todo o meu aprendizado durante esse tempo. Acho importante esse tipo de relato para quem nunca viveu o modelo de trabalho remoto antes. A verdade é que eu tive sorte na época porque o negócio era meu, de minha inteira responsabilidade e isso permitiu que o meu aprendizado fosse completo e pouco traumático. Se eu estivesse trabalhando para uma empresa certamente teria tido problemas, não quanto aos resultados obtidos, mas na dinâmica do trabalho.

Eu dividi o processo de adaptação de Home Office em três partes: antes, durante e o encerramento.

ANTES

Se você já está de Home Office, já deve ter percebido que algumas coisas são bem diferentes da jornada presencial. Cadeira, mesa, sons, cheiros, pessoas, tudo é novo para você. O ambiente que antes era a sua casa, o lugar de descanso e descontração, onde muitas vezes a palavra “trabalho” era proibida de ser pronunciada, agora, veja só, se tornou o seu local de trabalho. Para um marinheiro de primeira viagem isso é estranho.

Aqui vão algumas dicas do que fazer antes de iniciar a sua jornada de trabalho remoto.

Acomodação: Trabalhar no sofá pode parecer legar à primeira vista. E, é.

Nos primeiros 15 minutos.

Agora tente trabalhar sentado no sofá por 4,6 ou 8 horas. À medida que o tempo passa, o desconforto começa a aparecer. Costas e pescoço são os mais afetados, seguidos por ombros e antebraços que ficam “suspensos” por um longo tempo sem o apoio de uma mesa.

Portanto, antes de mais nada, pense onde seria possível replicar a acomodação que você está acostumado a trabalhar no seu emprego. Já adianto, não será a mesma coisa. Pode ser melhor. Pode ser pior. Mas igual não será. Se você trabalhar com um computador modelo desktop (torre), as chances de ter uma mesa minimamente confortável é grande. A desvantagem é ficar “preso” em um ambiente só.

Pense nas suas costas e na sua bunda: Quando comecei na jornada do Home Office, acompanhava um produtor de conteúdo que dizia que a vida dele tinha mudado e consequentemente a produtividade aumentado, à partir do momento em que ele tinha comprada uma cadeira confortável para trabalhar. Eu ri. Achei que era só uma forma de chamar atenção. Na terceira semana trabalhando em casa vi que ele estava certo. Como todo iniciante, comecei a trabalhar no sofá até que as minhas costas e a minha bunda começaram a formigar com um intervalo de tempo cada vez menor, até que eu passava mais tempo me alongando do que trabalhando. Cheguei a escrever de pé, igual Fernando Pessoa, mas como sou alto, ficava olhando muito para baixo e o pescoço voltava a doer. A solução foi comprar uma cadeira confortável dessas que são facilmente achadas em lojas de móveis para escritórios.

Local de trabalho: Algumas pessoas são abençoadas com o superpoder do foco. Sentam na frente do computador e não perdem a atenção no que estão fazendo por nada. Claramente não é o meu caso. Eu consigo manter a minha atenção no campo visual, mas a minha fraqueza é o som. Um sonzinho um pouquinho mais alto, uma TV ligada ou pessoas falando alto já são o suficiente para a minha atenção ser quebrada e o meu cérebro ter que gastar energia com a ligação direta para retomar de onde estava. Nesse processo, é claro que eu perco um tempo danado tentando me lembrar o que eu estava fazendo e onde parei.

Sabe quando cai a luz da casa e precisa religar o disjuntor? Igual.

Portanto, se você é como eu, você precisa de um lugar onde não haja estímulos que lhe tirem a atenção. A solução que eu encontrei foi transformar um dos quartos da minha casa no meu escritório.

Mesa, cadeira, tomada e conexão com a internet. Problema resolvido de maneira simples. Se tiver barulho, eu fecho a porta. Se está calor, ligo o ventilador.

Conexões com internet e energia: Itens importantes. Certifique-se de ter acesso a eles de imediato.

Isolamento das conexões: É importante garantir o isolamento das conexões, dados e informações pessoais e corporativas. Pode parecer besteira, mas é preciso pensar na proteção dos dados corporativos que são sensíveis e de interesse de hackers. Se a empresa lhe deu um laptop não o utilize para fins pessoais. Se a empresa disponibilizou um ambiente online tome muito cuidado com o tipo de arquivo que você faz download no seu computador pessoal ou o tipo de informação que você troca.

Avise os parentes: Se você mora com alguém ou irá trabalhar remoto em um lugar que tenham outras pessoas é importante avisar que durante um período de tempo você está trabalhando e pode não estar disponível para conversar ou ir ao supermercado. Pode parecer besteira, mas algumas pessoas tinham o mesmo pensamento que eu tinha sobre trabalho remoto e isso pode causar situações embaraçosas e constrangedoras.

 

Paletó e Bermuda: “Devo me vestir no Home Office como se eu estivesse indo trabalhar normalmente?”. Essa é uma pergunta frequente.

A resposta é: Depende com o que você trabalha.

Se você terá contato visual com clientes, fornecedores ou colegas de trabalho evite a todo custo vestimentas que possam causar desconforto para a pessoa com quem você está falando. Para homens, sugiro estar sempre vestido. Sim, é importante dizer isso. Já ouvi relatos de reuniões onde um dos membros estava em HO e sem camisa. Em um contexto profissional isso é inadmissível. É de bom tom evitar camisetas regatas também.

Para as mulheres, a sugestão é usarem roupas confortáveis e que evitem situações constrangedoras. Em tempos de hiper conectividade para um print screen malicioso ser compartilhado via whatsapp é um piscar de olhos. Por hora, pequemos pelo excesso de zelo.

Quando pensamos em que roupa devemos vestir é importante também pensar no campo de visão que a câmera do computar oferece. Não tem problema nenhum vestir blazer, camisa social e samba canção, desde que isso não apareça na tela.

Agora se na sua rotina profissional as chances de ter contato com alguém por vídeo é zero, vista-se da maneira que achar melhor. Mas vista-se.

Tome banho e penteie o cabelo: Higiene pessoal é importante sendo offline e online. Você pode até escolher não tomar banho no regime de Home Office, mas arrume o cabelo e tire as remelas dos olhos se for ter uma videoconferência.

Chegue no horário: Uma das bençãos do HO é não precisar pegar trânsito para chegar ao trabalho e o tempo que se ganha pode ser usado para várias coisas. Desde dormir mais um pouco, resolver assuntos pessoais, fazer exercícios físicos e etc. A minha recomendação aqui é de não se atrasar para começar a trabalhar. Se o seu trabalho começa as 09h00, certifique-se que você começará nesse horário.

O melhor dos mundos? Se planeje para começar a trabalhar 15 minutos antes.

Se essa rotina de Home Office é nova para você, use esse tempo para se preparar para começar a sua jornada de trabalho. Acesse os sistemas, defina as metas diárias e esteja pronto. Pode demorar um pouco para efetivamente começar a trabalhar e produzir, por isso chegue mais cedo no trabalho.

Planeje o seu almoço: No cotidiano brasileiro das duas uma: ou você almoça fora ou traz a sua comida de casa para comer na pausa a que temos direito. O tempo disponível varia de empresa para empresa, mas geralmente é de 1 hora. Normalmente, a solução seria uma pouco mais fácil em tempos normais, mas estando isolados por conta do coronavírus sair de casa não é aconselhável. Portanto é preciso pensar no tempo que se gastará para preparar e fazer a sua refeição. Algumas pessoas preferem cozinhar coisas rápidas que não deem muito trabalho e nem tome muito tempo. Mas, se você não é esse tipo de pessoa, se planeje. Se possível, deixe os ingredientes preparados anteriormente para que você gaste o menor tempo possível na hora de cozinhar.

Se você fez a sua refeição e ainda sobrou o tempo que lhe é de direito, não se sinta obrigado a voltar a trabalhar. Se achar que deve, aproveite para tirar uma rápida soneca, ver um pouco de TV ou mesmo resolver assuntos pessoais.

DURANTE

Cumpra a sua agenda: O temor número um de líderes e liderados sobre Home Office é de que as pessoas não trabalhem em casa como trabalham presencialmente nas empresas ou mesmo que não trabalhem. Por mais que eu pense que presença não é sinal de performance, eu reconheço que para algumas pessoas o trabalho remoto pode apresentar dificuldades e diminuir a sua performance. Portanto, para evitar qualquer tipo de desgaste, cumpra a sua agenda de tarefas dentro do seu horário de trabalho. Eu friso “dentro horário de trabalho”.

Quando eu comecei a trabalhar remotamente eu fazia todas as minhas tarefas e sempre ia um pouco além. O problema é que eu não trabalhava dentro de uma linha organizada e isso me gerou muito problemas. Eu acordava cedo, fazia os meus rituais pessoas e começava a trabalhar. Em 15 minutos estava completamente desfocado, fazendo qualquer coisa menos trabalhar. Voltava para o trabalho e logo me distraia de novo. Passava o dia assim. Terminava minhas tarefas tarde da noite, entre 22h00 e 23h00 e em algumas vezes a 01h00. Literalmente, eu ficava preso em casa vítima da minha falta de foco. As coisas mudaram para mim quando eu me comprometi a fazer tudo o que eu precisava dentro de um determinado período ou dependendo da tarefa, eu só encerraria o meu expediente quando uma determinada meta fosse atingida. Sem negociações ou interrupções. Essa mudança de mentalidade fez com que não só a minha produtividade aumentasse, mas que eu conseguisse aproveitar as benesses do Home Office que é ter mais tempo livre para fazer o que eu quiser.

Cumpra os rituais de trabalho: Trabalho remoto não é uma prisão. Você pode, e deve, se levantar quando quiser, ir ao banheiro, tomar um café, tirar pequenas pausas de 5 minutos para esticar as pernas e alongar as costas. Pequenos rituais que certamente todo mundo que trabalha presencialmente nas empresas faz. Apenas tome cuidado para não extrapolar e perder tempo de trabalho.

ENCERRAMENTO

Analise o dia: Essa prática não é bem vinda apenas para quem trabalha em Home Office, mas ela ajuda muito para quem está iniciando nessa experiencia. Seja honesto e avalie o que você produziu durante o dia. Isso ajudará a entender quais pontos precisam ser ajustados para que o trabalho em casa seja igual ou até melhor do que o presencial.

Planeje o dia de amanhã: Outra boa prática que não é exclusiva do Home Office, planeje o que puder o dia seguinte. Muitas vezes é impossível termos visibilidade completa da nossa rotina de trabalho, mas o que for possível predizer, anote e coloque na sua agenda de tarefas.

Aproveite as horas extras: Em dias normais, sem a reclusão imposta pelo coranavírus, você teria disponível de uma a duas horas livres do seu dia para fazer o que quiser fora de casa. Por hora, você ainda terá tempo livre, mas dentro de casa. Quando toda essa situação melhorar, aproveite as horas a mais para fazer o que lhe der na telha.

[CONCLUSÕES] Agora uma quase realidade imposta, o Home Office, é uma novidade para muitas pessoas e como tudo o que é novo passará por uma fase de aprendizagem. Eu conheço uma série de pessoas que preferem trabalhar em casa e vão aos escritórios quando são chamadas ou uma ou duas vezes ao mês, “para ver gente diferente” eles dizem. Em contrapartida, conheço pessoas que não gostam do trabalho remoto e o fazem por obrigação.

Não acho que exista certo ou errado. O importante é ter opções e a liberdade para escolhê-las.

Uma coisa a se pensar é como ficarão as coisas depois que a pandemia passar. Se as empresas optarem por deixar a opção do Home Office à escolha dos seus colaborares, a minha sugestão é: uma semana 3 dias remotos e 2 dias no escritório e na semana seguinte o inverso. Claro, cada atividade tem a sua rotina, mas quando for possível escolher, essa é a dinâmica que eu uso e funciona para mim.

Eduardo Saigh é formado e pós-graduado em marketing pela ESPM. Atuou com sucesso na área de marketing e comunicação durante 8 anos, quando decidiu mudar de carreira e empreender na área de desenvolvimento humano. Após três anos na nova área, aceitou o desafio de fazer a restruturação da área de RH na Hays, uma das maiores consultorias de recrutamento e seleção especializadas do mundo. Atualmente é o head da Elliott Scott, multinacional especializada no recrutamento e seleção de profissionais de RH e sócio fundador da Peopleminin.

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