Finanças Pessoais – Sugestões para lidar com o seu dinheiro em meio ao COVID-19

Finanças Pessoais – Sugestões para lidar com o seu dinheiro em meio ao COVID-19 (1)

Se você esteve na Terra nos últimos 20, 30 dias, sabe o que está acontecendo no mundo com a pandemia do COVID-19, o famigerado Coronavírus. Não vou perder o nosso tempo explicando o que ele é ou trazer qualquer tipo de informação técnica sobre ele.

Afinal, além de não ser a minha especialidade, existem pessoas e meios de comunicação muito mais capacitados do que eu para isso.

O objetivo desse conteúdo é compartilhar a minha visão sobre como administrar as finanças pessoais em meio a toda essa situação que vivemos.

Eu parto de duas premissas, que podem ser interdependentes, mas para o que é proposto devem ser interpretadas em conjunto:

– A pandemia será controlada e terá os seus efeitos reduzidos.

– Planejamento e controle das finanças pessoais é importante para a sobrevivência em cenários incertos.

Se você não acredita nessas duas premissas, esse texto é inútil para você e sugiro que utilize o seu tempo com outra coisa. Mas, se você acredita nessas duas premissas ou em uma delas, talvez as minhas palavras possam lhe ser uteis.

Veja isso: COVID-19: Implications for business

PREMISSA: A pandemia será controlada e terá os seus efeitos reduzidos.

Não sabemos quando e nem como, mas sabemos que a pandemia terá os seus efeitos reduzidos e terá um fim a exemplo do H1N1 e Zika. Entenda como “fim” a descoberta de uma vacina contra o vírus que é diferente de controle da epidemia. Controle é o que estamos vivendo hoje com o isolamento físico – e não seja burro de dizer que está em isolamento social sendo que temos à nossa disposição dezenas de ferramentas para nos comunicarmos. Tirando o bom senso, educação e civilidade, nada nos impede de sair de casa.

Vacina: Testes com vacinas e remédios para tratamento já estão sendo feitos. Especialistas projetam que o desenvolvimento de uma vacina pode levar, em média, um ano e meio (540 dias). Ou seja, espera-se ter uma cura entre julho de 2021 e outubro de 2021. Guarde bem essas datas.

Isolamento físico: Difícil dizer quando a sugestão das autoridades para evitarmos o contato com muitas pessoas acabará. Algumas empresas orientaram os seus funcionários para trabalharem de casa até o dia 06/04 quando revisarão a possibilidade de retorno completo, parcial ou mesmo a continuidade do home office por mais um determinado período de tempo. Se tivermos como base as ações da China, que colocou o epicentro da epidemia em quarentena oficialmente em 22/01 e declarou o final na última quarta-feira, dia 25/03, teremos algo em torno de 60 a 70 dias vivendo em isolamento físico. Guarde essa informação.

Duas coisas são importantes serem ditas sobre isso: pelo que se noticiou, lá o isolamento era garantido, se preciso com o uso da força. Mesmo com o aparente controle do vírus, teme-se uma segunda ou até terceira onda de casos.

Portanto, se a minha premissa estiver correta, podemos admitir, pelas informações, dados e fatos que temos a nossa disposição, que toda essa situação pode demorar entre 60 dias a 540 para ser controlada, reduzida e até erradicada. Diferente de todas as doenças, pragas e pestes que nos assolaram no passado, nos sabemos que a COVID-19 tem um final só não sabemos quando.

PREMISSA: Planejamento e controle das finanças pessoais é importante para a sobrevivência em cenários incertos.

Chama-se de “finanças pessoais” todos as disciplinas e conceitos das esferas financeiras e empresariais que podem ser aplicados nas decisões de um individuo ou de uma família referentes aos seus recursos financeiro.

Trocando em miúdos, finanças pessoais é como é feita a administração não só do seu dinheiro, mas de todos os recursos financeiros que você tem a disposição.

Existem diversas linhas, teorias e conceitos de finanças pessoais e não é o meu objetivo discorrer sobre cada uma delas agora. O ponto central dessa premissa é: estamos vivendo um contexto incerto que afetará a nossa economia e precisamos estar preparados para isso.

Simplificarei ao máximo alguns conceitos de administração financeira que julgo serem úteis nesse momento.

Gasto/Custo Fixos: São as despesas que precisam ser pagas todos os meses, como aluguel, condomínio, conta de energia, água e gás. Geralmente, são despesas onde não há muita variação de valor ao longo do ano.

Gasto/Custos Semifixos / Semivariáveis: São aqueles custos que ocorrem com frequência e que podem ter variações de valor, como compras de supermercado por exemplo. É possível reduzir os gastos ou aumentá-los em determinados meses, mas este custo sempre irá existir.

Gasto/Custos Variáveis: São as despesas em que o valor e periodicidade oscilam ao longo do ano, como por exemplo lazer e hobbies.

Projeção de Caixa: A Projeção de Caixa é baseado nas informações de entradas e saídas de dinheiro que afetarão a quantidade de dinheiro que você tem ou terá disponível.

Liquidez: É a capacidade que um investimento/aplicação tem de estar disponível na sua conta corrente. Exemplo: Tesouro Selic, que é o título público que acompanha a taxa de juros e pode ser resgatado em D+1 (no dia útil seguinte ao pedido, o dinheiro estará na sua conta).

UNINDO PREMISSAS E PERCEPÇÕES DA REALIDADE

Seria simplista apenas perguntar para você se você consegue manter o seu atual padrão de vida por 60 ou 540 dias sem a sua fonte de renda principal e/ou secundaria.

Também seria inviável eu descrever todos os cenários. Por isso, vou descrever as 3 situações que eu vejo como as mais comuns levando em conta profissionais que trabalham ou prestam serviço para alguém. Eu pretendo escrever algo voltado para as empresas, mas acredito que assalariados e prestadores de serviço têm mais urgência.

Não foi fornecido texto alternativo para esta imagem[Situação 1: Antes da crise as coisas não estavam boas] São aquelas pessoas que estavam com dificuldades em pagar todos os seus gastos antes pandemia. É importante dizer que nem todos desempregado vive enforcado e nem todo assalariado consegue arcar com os seus gastos. Por isso, seria incorreto correlacionar uma coisa à outra.

Objetivo para esse grupo: ter visibilidade do custo mínimo para manter o padrão de vida já existente, evitar pedir empréstimos bancários a juros altos baseados no desespero e impedir que serviços básicos sejam cortados (quem diria que o Maslow daria as caras nessa altura do campeonato.)

Sugestões do que fazer:

Anote todos os custos fixos, semifixos e variáveis. Anote onde for mais fácil para o controle, seja numa planilha de Excel ou em um papel de pão. Divida os gastos nessas categorias. Queremos ter visibilidade para onde está indo o seu dinheiro.

-Tirando os custos fixos, quanto sobra de dinheiro? Não compute compras de supermercado como custo fixo. Dependendo da quantidade de dinheiro que sobra, uma compra de supermercado pode ser redimensionada (para mais ou para menos) mais facilmente do que a conta de luz.

– Tem cartão de crédito? Abra a fatura e veja onde vem gastando o seu dinheiro. Uber/99, Ifood/Rappi recheiam a sua fatura? Talvez seja a hora de fazer a sua própria comida e como sabemos, ficar em casa.

– Ainda sobre cartão de crédito: veja qual é a taxa de juros para parcelar o pagamento da fatura do cartão de crédito. Dependendo do quanto de dinheiro se tem disponível para pagar as contas, essa estratégia faz sentido a medida em que se parcela o valor da fatura e há o comprometimento de não utilizar o cartão de crédito até que seja realmente necessário ou que a situação financeira melhore.

– Se você tem dívidas parceladas é hora de negociar. Veja, não estou pedindo para não pagar ou algo parecido, mas se houver oportunidade, tente negociar. Prorrogar o prazo de pagamento, suspender o pagamento por um determinado período de tempo e coisas do tipo. Exemplo: Mora de aluguel? Tente negociar uma redução de 20% a 30% pelos próximos 90 dias.

– Possui algum tipo de investimento? Cheque qual é a liquidez dele.

– Se ouve economia, guarde.

– Independente do que foi possível economizar, renegociar ou mudar, faça uma Projeção de Caixa até outubro de 2021.

– Cenário claro, pense no seguinte: o que eu tenho a minha disposição, caso eu precise de recursos financeiros? Esse exercício serva para lhe dar opções caso as coisas fujam do controle e o seu bem estar corra perigo.

 [Situação 2: Estava tudo bem até a pandemia] Tudo corria bem até meados do dia 16/03 quando por consequência da pandemia a sua vida financeira foi afetada. Nesse grupo entram as pessoas que já foram demitidas ou que tiveram os seus negócios e empregos afetados. Tem uma reserva de dinheiro para 3 a 9 meses mantendo o mesmo padrão de vida que tinham antes da pandemia ou muito próximo dele. Por se tratar de uma situação nova, esse grupo tende a sentir o impacto das consequências da pandemia com muito mais força do que o grupo anterior, mas não só no aspecto financeiro, mas no aspecto psicológico também. Muitos se encontram em estado de pânico ou com inconformados com o rumo que as coisas tomaram.

Objetivo para esse grupo: Manter a saúde mental e evitar o desperdício de recursos financeiros.

Sugestões do que fazer:

– Leia todas as sugestões do que fazer do grupo anterior. Certamente alguns itens descritos lá podem se encaixar perfeitamente na sua realidade.

– Reveja os seus Gastos Variáveis. Reflita no que pode ser diminuído ou mesmo cortado por um curto prazo de tempo.

– Atualize-se. Busque novos conhecimentos. Torne-se mais competitivo.

[Situação 3: Apesar do caos, está tudo aparentemente bem] Nesse grupo estão as pessoas que foram pouco ou não foram afetadas pela pandemia. Podem ser pessoas que mantiveram os seus empregos ou não tiveram os seus negócios direta ou indiretamente afetados. Igual ao grupo 2, mas em menor intensidade, algumas pessoas desse grupo podem vir a sofrer de crise de ansiedade, pânico e outros transtornos metais fruto do estresse que todo esse cenário incerto vem causando.

Objetivo para esse grupo: Manter a saúde mental, evitar o desperdício de recursos financeiros e analisar possíveis oportunidades de investimento e desenvolvimento.

Sugestões do que fazer:

– Leia todas as sugestões do que fazer dos grupos anteriores.

– Procure manter a calma e aliviar o estresse. Se for assalariado e o salário for a renda principal é importante se concentrar no trabalho para evitar surpresas desagradáveis.

– Sempre tem alguém lucrando em qualquer situação. Siga o dinheiro. Se houver o costume de investir além da poupança e do CDI, veja quais setores estão se beneficiando. Serviços e Distribuição de Serviços de Saúde são apostas certas nesse momento.

O CAOS GERA OPORTUNIDADES

Muito do pânico e caos gerado até aqui é em função de não só um, mas o possível colapso de vários setores da economia em escala global. Mas, como sempre, existem setores que serão menos afetados e até crescerão com a pandemia. Segundo um estudo recente da consultoria McKinsey, os mercados de Mídia, Tecnologia Médica/Hospitalar, Distribuição de Serviços de Saúde, Farmacêuticas, Varejo (principalmente o online), Tecnologia e Serviços sofrem quedas mas apresentam alta bem superiores (e mais rápidas) as de outras áreas.

Se estiver buscando por novas oportunidades profissionais, aposte nesses mercados.

Veja isso: COVID-19: Briefing materials | Global health and crisis response

POR HORA, PALAVRAS FINAIS

As coisas ainda estão bastante nebulosas. Minha sugestão é ficar o mais seguro possível. Na minha opinião, como sempre, polarizamos as coisas. Não é a saúde ou a economia.

A pergunta correta é:

Como podemos manter a nossa população segura tendo o menor impacto econômico possível?

Para mim está claro que o Estado deve prover os recursos financeiros para isso. Não oferecendo empréstimos à juros baixos, mas injetando dinheiro na economia a exemplo dos EUA. Estado não é empresa. Não deve ter lucro. É obrigação dele zelar pela sua população quando ela mais precisa. De certo isso não acontecerá, mas fica registrada a minha posição.

Da nossa parte, o que podemos fazer e ter empatia e ajudar a todos que pudermos. Infelizmente, eu sou incapaz de oferecer uma orientação efetiva para aquelas pessoas que se encontram abaixo do que eu classifiquei como Situação 1: Antes da crise as coisas não estavam boas. Infelizmente, essas pessoas não têm opção de negociar e vivem no limite todos os dias. Para essas pessoas, nós, os fortes, os que podemos ou mesmo os que tem uma condição minimante melhor ou que teremos mais oportunidades no futuro, devemos ajudar com comida, pagar uma conta de luz, água ou gás. Não é preciso pagar tudo sozinho, dividimos.

Também é possível ajudar com conhecimento e habilidades, contribuindo para o desenvolvimento de quem precisa e deseja. No silêncio dos coaches, especialistas e gurus online e toda casta de profissionais despreparados, se faz necessária a presença de gente séria e preparada.

[MENTORIA] Fazendo coro as minhas próprias palavras, ofereço o meu conhecimento para quem tiver dúvidas sobre os assuntos abordados por mim nesse texto, sobre carreira e empregabilidades. Me mande uma mensagem pelo chat e alinhamos. Eu responderei na medida do possível.

Eduardo Saigh é formado e pós-graduado em marketing pela ESPM. Atuou com sucesso na área de marketing e comunicação durante 8 anos, quando decidiu mudar de carreira e empreender na área de desenvolvimento humano. Após três anos na nova área, aceitou o desafio de fazer a restruturação da área de RH na Hays, uma das maiores consultorias de recrutamento e seleção especializadas do mundo. Atualmente é o head da Elliott Scott, multinacional especializada no recrutamento e seleção de profissionais de RH e sócio fundador da Peopleminin.
Postado por / 30/03/2020 / 0 Comentários
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Carreira, Empregabilidade
Eduardo Saigh

Eduardo Saigh

Eduardo Saigh é formado e pós-graduado em marketing pela ESPM. Atuou com sucesso na área de marketing e comunicação durante 8 anos, quando decidiu mudar de carreira e empreender na área de desenvolvimento humano. Após três anos na nova área, aceitou o desafio de fazer a restruturação da área de RH na Hays, uma das maiores consultorias de recrutamento e seleção especializadas do mundo. Atualmente é o head da Elliott Scott, multinacional especializada no recrutamento e seleção de profissionais de RH e sócio fundador da Peopleminin.

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