Coronavírus e o impacto nos processos seletivos

Coronavírus e o impacto nos processos seletivos (1)

Há pouco de mais de uma semana, o Brasil foi atingido em cheio pela pandemia do coronavírus. Antes, o vírus que parecia apenas uma ameaça longínqua vinda do oriente se tornou real e está afetando a vida de todo mundo.

Como sabemos, a principal medida de proteção adotada nesse momento é o de isolamento físico e isso traz consequências diretas para a nossa economia.

E se afeta a economia, afeta as empresas.

E se afeta as empresas, afeta o mercado de emprego.

Nesse pano de fundo inesperado e caótico, como ficam os processos seletivos?

É difícil ter uma resposta certeira e geral para todos os casos. Por isso, vou compartilhar o que tenho visto, ouvido e principalmente vivido nesses últimos dias. A semana passada foi bem intensa e muitos de nós entraram em pânico e em estado de alerta.

Antes de mais nada, calma.

É cedo para qualquer pessoa dizer o que será do nosso futuro. As brasilidades tão nossas impedem que possamos prever qualquer coisa além de 2 ou 3 dias a diante. Como eu sempre digo, o Brasil não é para amadores e isso cobra o seu preço.

Em linhas gerais, todo tipo de negócio ou atividade que permite atividade remota sem perda significativa da produtividade manteve os seus processos seletivos ativos e as contratações seguem a todo o vapor com apoio da tecnologia.

Porém, existem setores ainda em ajuste para que o home office seja implantado e existem áreas em que o trabalho remoto é inviável. Nesses negócios, os processos seletivos tendem a se comportar de maneira imprevisível e muito particular.

Leia também: Home Office de A a Z – Guia básico para profissionais que nunca trabalharam remotos

Até o presento momento identifiquei os três cenários abaixo nos mais diversos setores e níveis de contração.

PROCESSOS SELETIVOS EM FASE INICIAL – Considero como fase inicial de um processo seletivo as etapas de triagem, primeiros contatos online e até a primeira ou segunda entrevista realizadas antes da segunda-feira passada, dia 16/04. Esses processos tendem a ter a sua velocidade diminuída, serem suspensos por um período indeterminado até que as coisas voltem ao normal ou cancelados.

PROCESSOS SELETIVOS EM FASE INTERMEDIÁRIA – São os processos seletivos que já avançaram pelas etapas de triagem, primeiros contatos feitos (incluindo as primeiras entrevistas) e se encaminham para as últimas validações, que podem ser com clientes internos, pares ou mesmo com o gestor da posição. Esses processos tendem a ser suspensos, inicialmente por 20 a 30 dias, até que a situação do país seja mais clara e os empregadores possam tomar alguma decisão com o mínimo de risco.

PROCESSOS SELETIVOS EM FASE FINAL – Estes são os processos seletivos onde as últimas etapas de avaliação já foram concluídas ou estão bem próximas disso.

Aqui temos dois cenários distintos:

– Se as etapas finais já foram concluídas, é quase certo que a empresa já tenha escolhido o seu candidato finalista e a próxima etapa é a oficialização da carta oferta. E aqui também temos dois cenários: se a carta oferta foi oficializada ao candidato, o processo caminha para um final positivo e basicamente, o candidato escolhe se a aceita ou não. Porém, se a carta oferta ainda não foi oficializada, existe chance de revisão do processo, podendo ser suspenso por 2 a 3 semanas. Acho improvável processos seletivos nesses contextos serem cancelados.

– Se as etapas finais não foram concluídas, as chances de pausa ou cancelamento ainda existem. Eu chamo de “etapas finais” a etapa que vem antes da última entrevista, a última entrevista e a coleta de referências profissionais. Dado o caos, a conclusão dessas etapas pode trazer lentidão inesperada.

O QUE OS CANDIDATOS PODEM FAZER?

– Mantenha a calma: Como eu já disse, a primeira coisa a se fazer nesse momento é manter a calma. Muitas empresas não têm a menor ideia de como os seus negócios reagirão a essa nova realidade e alguns líderes estão tão apavorados quanto você. Então, calma.

– Fique disponível para contato: É importante se manter disponível para contato, seja por telefone ou meios online. Por mais que os processos tendam a ser mais lentos que o normal nessas 2 ou 3 semanas, algumas etapas podem (e devem) acontecer por intermédio da tecnologia. Entrevistas por telefone ou videoconferência são exemplos. Não suma.

– Faça um acompanhamento: Se você tem algum tipo de contato com quem está realizando o processo seletivo, seja ele RH, consultoria ou mesmo uma máquina, peça algum tipo de orientação sobre quais e quando serão as próximas etapas do processo. Isso serve para lhe dar visibilidade sobre os próximos passos e aplacar a ansiedade. Anote todas as informações e as use a seu favor. Se as próximas etapas implicam em testes ou assessments, se prepare para eles. Próximo a data informada de uma nova etapa, entre em contato (gentilmente) com quem lhe deu informações e veja se temos novidades. Lembre-se, o que queremos nesse momento é visibilidade sobre como as coisas estão.

O QUE AS EMPRESAS PODEM FAZER?

As empresas têm um papel fundamental na dinâmica dos processos seletivos em meio ao momento que estamos vivendo. Assim como os candidatos, é necessário manter a calma e pensar bem sobre os próximos passos. Momentos como esse testam a força da cultura, a identidade das empresas e o caráter dos seus líderes.

Não adianta investir em employer branding e candidate experience se em momentos como esse tudo é jogado pela janela em benefício próprio.

– Transparência: Comunique com clareza e agilidade. Fale a verdade. Mais vale uma resposta negativa do que uma não resposta. Todos nós sabemos das atuais dificuldades e compreenderemos se os processos forem congelados ou cancelados. Além de usar os canais predeterminados para a comunicação, se for preciso, use o whatsapp ou mesmo ligue para os candidatos explicando a situação.

Se você tem dúvidas sobre o que fazer com os seus processos seletivos, leia esse post:

Estava rodando um processo seletivo… e agora?

– Use a tecnologia: Skype, Zoom, IA, onboarding remoto e mais um tanto de tecnologias que estão ao nosso dispor podem ajudar nas diversas etapas dos processos seletivos, desde a divulgação da posição até a admissão. Do que adianta investir rios de dinheiro em IT e não usar quando se mais precisa?

Uma informação interessante sobre home office: o número de pedidos de compra de laptops subiu tanto nas duas últimas semanas que corre-se o risco da demanda não ser suprida!

Tanto empresas quanto candidatos precisam entender que todos estamos aprendendo com essa nova situação e que apesar dos pesares, conseguimos enxergar um prazo de validade para todo esse sofrimento. Maio? Setembro? Outubro talvez? A data exata não sabemos, mas tão certo como chegou, o coronavírus vai embora.

Qualquer novidade do front, eu aviso.

Eduardo Saigh é formado e pós-graduado em marketing pela ESPM. Atuou com sucesso na área de marketing e comunicação durante 8 anos, quando decidiu mudar de carreira e empreender na área de desenvolvimento humano. Após três anos na nova área, aceitou o desafio de fazer a restruturação da área de RH na Hays, uma das maiores consultorias de recrutamento e seleção especializadas do mundo. Atualmente é o head da Elliott Scott, multinacional especializada no recrutamento e seleção de profissionais de RH e sócio fundador da Peopleminin.
Postado por / 20/04/2020 / 0 Comentários
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Carreira, Empregabilidade, Recursos Humanos
Eduardo Saigh

Eduardo Saigh

Eduardo Saigh é formado e pós-graduado em marketing pela ESPM. Atuou com sucesso na área de marketing e comunicação durante 8 anos, quando decidiu mudar de carreira e empreender na área de desenvolvimento humano. Após três anos na nova área, aceitou o desafio de fazer a restruturação da área de RH na Hays, uma das maiores consultorias de recrutamento e seleção especializadas do mundo. Atualmente é o head da Elliott Scott, multinacional especializada no recrutamento e seleção de profissionais de RH e sócio fundador da Peopleminin.

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