Como tomar uma decisão importante

Como tomar um decisão importante

Fato: em algum momento da nossa vida teremos que tomar uma decisão que consumirá toda a nossa energia psíquica e muitas vezes física. Não são as alternativas propriamente ditas que nos consumirão mas sim, a dúvida da escolha.

Afinal, já é sabido que a cada escolha requer uma renuncia. 

Muitas vezes nos apegamos no que deixaremos de ter e não pelo que escolhemos e é essa situação que nos consome por dentro. Vejo essa situação muito presente nos meus clientes de desenvolvimento pessoal, onde diante de uma tomada de decisão há uma situação de paralisação e pânico. Luta-se tanto para se ter um norte, um objetivo condutor, um farol e quando finalmente o achamos, não temos a força necessária para renunciar tudo aquilo que não corrobora com esse objetivo e ficamos frustrados dentro do que eu chamo de mar da indecisão. Alguns estudiosos chamam isso de “inferno da indecisão” as duas definições querem dizer a mesma coisa: ficamos fritando, parados no mesmo lugar, sem saber o que fazer.

A OU B NÃO É O MAIS IMPORTANTE

Antes de se pensar em qual alternativa é a mais importante, temos que pensar em comparação. Por definição, qualquer coisa só pode ser comparada a outra. Logo, a opção A só pode ser comparada – dentro do mesmo contexto, é claro –  a opção B ou opção C. E, é nesse ponto que há uma falha conceitual. Para fugir do mar ou inferno da indecisão não podemos NUNCA comparar as opções entre si para se tomar uma decisão! Devemos sempre olhar para aquilo que queremos e desejamos e só depois teremos meios sadios para olhar entre as opções que temos e analisar qual é aquela que vai contribuir de maneira mais rápida e sustentável para o nosso objetivo. Portanto, as opções vem em segundo plano, precedendo sempre o objetivo.

Como já dito aqui, exaustivamente é verdade, este objetivo deve ser forte o suficiente para ser desafiador, dar frio na barriga ao mesmo tempo em que se esteja totalmente comprometido com ele. Acredito que grande parte das indecisões seja fruto de objetivos poucos claros e reais, onde o individuo não sabe se este objetivo é realmente o que ele deseja. Então, a dúvida não está nas opções do objetivo, mas sim no próprio objetivo e isso não gera força suficiente para haver qualquer tipo de mudança significativa, pelo contrário. Nesse cenário há confusão, dúvida, incerteza, angústia, ansiedade, dor e sofrimento, uma vez que não se quer estar onde se está, mas não se sabe onde quer ir!

Antes de analisarmos as opções, devemos analisar o que queremos. Ponto.

Gosto muito desta frase do Lewis Carroll, autor de “Alice no Pais das Maravilhas”:

“Se você não sabe onde quer ir, qualquer caminho serve.”

Ou seja, se você não sabe o que quer, qualquer coisa serve. Se esse for o seu caso, não se engane tentando tomar uma decisão que não tem objetivo algum. Proponho o seguinte, ao invés de se torturar pensando em qual alternativa seguir, viva todas se for possível!

Sim, se você está com um dilema pessoal, onde o seu relacionamento está uma merda e você está pensando em se separar, mas ao mesmo tempo não sabe se esse é o caminho, tome uma atitude diferente e siga em frente:

  • Se você tem a certeza de que já foi tentado de tudo, sai fora! Se realmente o relacionamento for importante, você terá um objetivo claro que será o de reconstrução dele. Agora se ele não for importante, você economizou o seu tempo e o do seu parceiro em não insistir em algo que não levaria para lugar nenhum.
  • Se você tem dúvidas ainda sobre o seu relacionamento, tente algo novo então. Se comprometa em fazer ele funcionar. Pense no seguinte: e se o seu relacionamento fosse daqueles arranjados, tradicionais, em que não há a opção do divórcio? O que você faria para ter um relacionamento saudável, prazeroso e duradouro?

Veja que nos dois exemplos a decisão vem precedida de uma ação. Não há decisão sem ação. Se você não está disposto a realmente fazer algo, você está, conscientemente, se colocando em uma prisão de angústia e ansiedade onde a chave está na parte interna da cela.

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Agora que você já entendeu a necessidade de ter um objetivo claro antes de olhar as opções, apresentarei no próximo post ferramentas que possam nos ajudar a tomar uma decisão.

Muitas vezes nos encontramos presos em dilemas, simples ou complexos, em que para evoluirmos ou termos algo de diferente, precisamos decidir entre duas ou mais opções e por algum motivo não conseguimos decidir e ao invés de avançarmos, ficamos paralisados.

Quem nunca passou por isso?

INTUIÇÃO – NEM SEMPRE ELA SABE TUDO

Defino grossamente intuição como o julgamento automático sobre algo. Não sabemos de onde vem a nossa opinião, mas ela está lá, dizendo em alto e bom som que você deve optar por aquilo que ela diz. Pois é, acontece que nem sempre a nossa intuição tem razão. A nossa intuição nada mais é do que um apanhado de informações e fatos baseado no nosso próprio repertório de vida, que tem como base a nossa percepção sobre os acontecimentos, ou seja, o limite da nossa intuição é a nossa própria existência e não preciso dizer que, o mundo é bem maior que nós.

Tecnicamente, os especialistas dizem que a nossa intuição faz parte do Sistema 1 de pensamento – julgamentos automáticos que resultam em associações armazenadas em nossa memória que ao invés de trabalhar de forma lógica com a informação que está disponível, “interpreta”  essa nova informação como se ela fosse “velha” e deduz que os resultados possíveis sejam os já vividos. É por isso que muitas vezes nos cagamos de medo de tentar coisas novas, afinal, se já nos fodemos antes fazendo algo parecido, porque tentarmos de novo? Se isso fosse uma verdade absoluta, é um milagre que consigamos andar sob os nossos pés, já que quando crianças sempre caímos da primeira vez.

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Sem dúvida alguma, o Sistema 1 é o grande responsável pela nosso sobrevivência, já que é ele que entra em ação quando vemos uma situação perigosa, quando desviamos automaticamente de um carro desgovernado que vem em nossa direção.

No nosso dia a dia, usamos o Sistema 1 em grande parte da nossa tomada de decisão, isso serve para economizar recursos cognitivos.

Muitas vezes temos algo tão automático, que nem sabemos a razão de estarmos fazendo o que estamos fazendo, entramos no piloto automático. Nem é preciso dizer as consequências disso para relacionamento e etc. Se temos um Sistema 1 temos um Sistema 2, que é basicamente o conjunto de informações que adquirimos em raciocínios deliberados de fatos vividos ou seja, a diferença entre o Sistema 1 e o Sistema 2 é que Sistema 1 muitas vezes “aprende” para evitar situações que custem recursos e os Sistema 2 “aprende” com raciocínios que deliberadamente deram “errado”.

Para fugir dessa situação, proponho algumas estratégias que para serem seguidas devem sempre ser precedidas pela urgência em resolver o problema/situação.

Pergunte-se:

Qual é a real urgência de resolver essa situação?

Já adiante que na grande maioria das vezes, a resposta será “urgente” ou “logo”.  É justamente isso que devemos evitar, a pressa em resolver algo que muitas vezes não tem urgência. Se cedermos a esse instinto milenar de usar o “módulo sobrevivência”, corremos o risco de tomar uma decisão que não poderá ser a melhor.

“Aprenda a distinguir o que é um contratempo, um revés e uma tragédia. A maioria das coisas ruins da vida são contratempo. Reveses são mais sérios, mas podem ser corrigidos. Tragédias, sim, são diferentes. Quando você passar por uma tragédia, verá a diferença. Todas as coisas na vida são colocadas em termos de proporção e perspectiva. A probabilidade maior é de que o que está te angustiando agora seja apenas um contratempo.” – Ensinamento da Young President’s Organization.

Para ajudarmos a sair dessa sinuca de bico, sugiro algumas ferramentas mentais:

PENSE NO FUTURO

A melhor maneira de sair do cenário atual, não é atuar no mesmo nível do problema, mas sim em um nível acima. Portanto, devemos visualizar sempre o futuro diante de um dilema decisório e nunca o presente. É necessário sempre manter a consciência viva e alerta, pois mesmo diante destas ferramentas, podemos ter sempre o pensamento fixo nas decisões automáticas rondando a nossa consciência e isso pode nos levar a tomar uma decisão ilusória ainda baseada nos Sistemas 1 e 2, mas travestidas de uma decisão consciente.

[Faça três estimativas] Diante de uma decisão foda de se tomar, estresse o cenário e tente sempre imaginar três ou mais desdobramentos para  situação que você está enfrentando.  Os palpites devem ser sempre lógico e possíveis.

[Tire a média] Ligado a ferramenta anterior, imagine uma média entre os cenários levantados e veja como ele se parece. Muitas vezes, tendemos a pensar em soluções muito radicais, “oito ou oitenta” quando na verdade o meio termo pode ser o que desejamos e é o que pode nos ajudar a tomar uma decisão mais assertiva na direção ao que queremos.

[Retrospectiva – Perspectiva] A retrospectiva-perspectiva ou “pré-mortem” é uma ferramenta de auxilio de tomada de decisão onde imaginamos um fracasso futuro e imaginamos as diversas causas desse fracasso. Podemos usar as causas imaginárias e estressarmos cada uma delas ao ponto verificarmos se elas realmente têm fundamento ou não.  Além de um ótimo exercício para desenvolvimento de visão sistêmica o pré-mortem aumenta as chances de encontrar um possível ponto de falha para um objetivo futuro.

[Espere 24 ou 48 horas] Se a situação permitir, se dê esse tempo para decidir. Não é de hoje que sabemos que tomar alguma decisão sem pensar muito pode ser um erro. Para se livrar do espectro emocional e sobrevivente, se comprometa a tomar uma decisão sobre qualquer coisa depois de 48 horas.

[Tenha uma visão externa] Se a vista estiver embaçada, peça ajuda. É importante ter uma leitura externa da situação. Muitas vezes, por mais inteligente, letrados, experientes, especiais, fodões, semideuses que achamos ser, não enxergamos um palmo à frente do nosso nariz e uma opinião de quem está de fora pode ser uma luz no final do túnel. MAS (sempre tem um mas!), é necessário não ser dependente de uma opinião externa. A responsabilidade é sempre nossa. Sempre.

[Elimine as opções] Imagine que você já se decidiu por qual caminho deve ir. Você está certo disso, depois de muito pensar e de usar todas as ferramentas acima. Agora, pense por um segundo, e se você eliminar todas estas alternativas, o que mais poderia surgir?

Será que você pensou em todas as alternativas? E escolheu a melhor?

Certamente não.

FINALMENTE, DECIDIDO

Após explorar e excursionar por todas estas ferramentas, que tem o único objetivo de nos tirar conscientemente do piloto automático, você deverá ser capaz de tomar a decisão que tanto te consome. Se você ainda não for capaz, repasse cada uma destas ferramentas novamente e se mesmo assim ainda não se sentir capaz de decidir, reveja a origem da sua dúvida.

Será que a origem do seu dilema é realmente importante?

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