Balanço Final – O último trimestre do mercado de RH em 2019

Balanço Final - O último trimestre do mercado de RH em 2019

Entre mortos e feridos, chegamos ao final de 2019. Ano de altos e baixos, por vezes confuso e incerto, mas que no final, no frigir dos ovos, para os profissionais de Recursos Humanos, se mostrou um ano promissor. Como venho fazendo ao longo do ano, a cada final de trimestre faço um balanço geral de como foi o período para o mercado de RH.

O final de 2019 seguiu a mesma toada do ano, com os segmentos de Serviços, Tecnologia e Bens de Consumo puxando a fila de postos de emprego vagos. Neste período, Serviços teve 30,15% de posições abertas, enquanto Tecnologia teve 24,84% e Bens de Consumo 11,04%. O aumento do número de posições de RH no segmento de Serviços mostra uma tendência do empresariado e dos investidores em acreditar na retomada sólida da nossa economia para 2020. Porém, acho válido compartilhar a opinião de algumas lideranças empresariais que são taxativas em apontar o ano de 2021 como o ano divisor de águas, onde o Brasil dará um salto real na economia. Segundo eles, essa melhora significativa será consequência direta das políticas econômicas iniciadas nesse ano, como a reforma da previdência. Tão certos que 2021 será o ano do maná para os brasileiros, é a certeza, quase certa, de que isso só não acontecerá por culpa única e exclusiva da inabilidade do nosso presidente em governar. Esperamos o melhor sempre.

IMPRESSÕES

·        Os últimos três meses de 2019 foram um período fértil de processos seletivos para diversos níveis de liderança em RH. Apensar disso, poucos processos foram encerrados com o preenchimento da posição ainda em 2019. O fator que mais contribuiu para essa situação foi a falta de definição do planejamento estratégico das empresas para 2020. Normalmente, o planejamento é finalizado até novembro, mas muitas empresas esticaram esse período até a metade de dezembro diminuído a velocidade dos processos seletivos para liderança de RH. O ritmo deve voltar a todo o vapor à partir da segunda semana de janeiro (13/01 em diante).

·        Empresas começam a buscar por profissionais de remuneração que tenham projetos consistentes utilizando o conceito de people analytics. Se, de uma maneira bem, mais bem simples e grosseira, podemos dizer que indicadores são o retrovisor de um carro, mostrando uma imagem de como foi um determinado período no passado, as empresas buscam por conceitos e ferramentas que possam fornecer premissas que suportem decisões estratégicas para o presente do negócio. Uma das áreas que pode facilmente fazer, não só a análise de dados, mas o cruzamento de várias informações e desenvolver premissas a serem validadas é a área de remuneração. Um dos exemplos mais recentes que tenho desse tema, vem de uma empresa de grande porte do setor tecnologia, que após diversos cruzamentos de informações, chegou na seguinte premissa: para atendimento ao cliente, o melhor perfil de profissionais não está entre 18 e 32 anos. Apenar da maioria dos profissionais dentro dessa faixa etária ter familiaridade com tecnologia, falta paciência no atendimento, visão processual e o turn over é grande. Em contrapartida, para essas posições, profissionais acima de 35 anos tiveram um desempenho muito melhor e sustentável para a empresa, apensar de terem uma curva de aprendizagem técnica maior. Premissa validada e cascateada para as demais áreas de RH, como recrutamento e seleção, desenvolvimento organizacional, treinamento, é claro, a própria área de remuneração, que após propor e validar a premissa, precisa entender qual é o impacto desse tipo de mudança nas projeções headcount, é claro, custos.

·        Diversidade e inclusão continuam com tudo. Cresce o número de empresas que estão investindo nessas abordagens para as suas culturas. Os desafios continuam os mesmos: mudança de cultura interna, principalmente, com a liderança e encontrar profissionais que se encaixam nessas políticas e tem a competência necessária para desenvolver as funções. Algumas empresas estão seguindo a linha de desenvolver essas pessoas, independente das experiências e conhecimentos prévios enquanto outras flexibilizam alguns pré-requisitos antes inegociáveis, como idiomas.

BOMBA PRESTES A ESTOURAR

Preocupação de 100% dos líderes empresariais: os aumentos anuais dos planos de saúde. Em algumas empresas esse custo figura entre o segundo e o terceiro lugar no ranking dos maiores custos e não há previsão de redução. Algumas iniciativas estão sendo estudadas para atenuar o valor pago pelas empresas aos planos de saúde, mas nada que seja efetivo em 2020. Especialistas nesse benefício já apontam uma possível crise nos próximos 3 anos envolvendo as seguintes partes: empresa, colaborador, plano de saúde, sindicato e justiça. Não me lembro de uma única situação pacífica quando esses elementos estão juntos.

O QUE ESPERAR DE 2020?

Acredito que 2020 será uma versão ligeiramente melhor do que 2019 para os profissionais de RH. Se a promessa do crescimento do nosso PIB se cumprir – crescer entre 1,6% e 2,2% – estimo que teremos um aumento de 5% a 8% em novas posições para área de RH.

Eduardo Saigh é formado e pós-graduado em marketing pela ESPM. Atuou com sucesso na área de marketing e comunicação durante 8 anos, quando decidiu mudar de carreira e empreender na área de desenvolvimento humano. Após três anos na nova área, aceitou o desafio de fazer a restruturação da área de RH na Hays, uma das maiores consultorias de recrutamento e seleção especializadas do mundo. Atualmente é o head da Elliott Scott, multinacional especializada no recrutamento e seleção de profissionais de RH e sócio fundador da Peopleminin.
Postado por / 19/01/2020 / 0 Comentários
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Empregabilidade, Recursos Humanos
Eduardo Saigh

Eduardo Saigh

Eduardo Saigh é formado e pós-graduado em marketing pela ESPM. Atuou com sucesso na área de marketing e comunicação durante 8 anos, quando decidiu mudar de carreira e empreender na área de desenvolvimento humano. Após três anos na nova área, aceitou o desafio de fazer a restruturação da área de RH na Hays, uma das maiores consultorias de recrutamento e seleção especializadas do mundo. Atualmente é o head da Elliott Scott, multinacional especializada no recrutamento e seleção de profissionais de RH e sócio fundador da Peopleminin.

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