Assédio Moral e a empregabilidade – Como tratar do assunto em uma entrevista de emprego

Assédio Moral e a empregabilidade

Assédio moral. De novo, não tem nada. E a cada dia vem fazendo parte do cotidiano de mais profissionais. O que é assédio moral? Como diferenciar assédio de um fato isolado? O que fazer quando se sofre assédio?

E, o centro deste texto: Como tratar o assédio moral em uma entrevista de emprego? 

[ASSÉDIO MORAL – O QUE É?] Segundo o dicionário, Assédio é tudo aquilo que se repete de maneira insistente e prolongada junto a alguém. Em termos práticos, em relação ao tempo de “insistência” é senso comum que os juristas que analisam os processos de assédio moral no trabalho caracterizam como assédio moral ações que perpetuam de 1 a 3 anos. No exato momento em que escrevo esse texto, ainda não existe nenhuma lei objetiva que trate de assédio moral, sendo que o que existe hoje é a interpretação e senso comum do artigo 483 da CLT.

Entende-se por assédio moral toda conduta de gestos, palavras e atitudes que sejam repetitivas, e que firam de alguma forma a dignidade ou integridade psíquica ou física de um trabalhador. É importante entender que o assédio moral não é sinônimo de humilhação, e novamente, para que uma conduta seja considerada assediosa é necessário com que ela tenha sido realizada com frequência e que claro, haja provas ou testemunhas. Portanto, desavenças, discussões acaloradas e conversas diretivas não são caracterizadas como assédio moral. Podem ser caracterizadas como destempero, despreparo profissional ou coisas do tipo, mas não se enquadra em assédio moral. E pelo projeto de lei que está atualmente em trâmite no congresso, o assédio moral será configurado apenas se tiver representação da vítima contra o assediador e a pena pode ser de até 2 anos.

NA PRÁTICA

timNa grande maioria das vezes, o assédio moral é configurado por situações vexatórias. Os processos trabalhistas que resultam em condenações por assédio moral, quase sempre envolvem práticas como a exigência de cumprimento de tarefas desnecessárias ou impossíveis de serem feitas com os recursos disponíveis ou dentro da jornada de trabalho prevista em lei, imposição de isolamento, restrição da atuação profissional, e o mais comum, exposições ao ridículo.

Por isso é importante entender o que é assédio moral de incompatibilidade cultural entre empregado e empregador. Muitas vezes o desalinhamento e, por consequência, o estresse que é gerado por essa incompatibilidade pode levar a interpretação de que a situação que se vive se caracteriza por assédio moral, quando na verdade são apenas dois modelos de atuação diferentes e incompatíveis. Onde um não consegue coexistir no mesmo ambiente que o outro.

Por isso que para o candidato é importante conhecer a cultura de uma empresa. Isso pode ser o fator preponderante para evitar esse tipo de situação E por parte das empresas, é importante deixar claro qual é o tipo de cultura que existe ali. Não a cultura pregada na parede ou descrita no site. Mas a cultura do dia a dia, aquela que se vive e respira.

Como exemplos frequentes de assédio moral no ambiente de trabalho, podemos citar a exposição de trabalhadores a situações vexatórias, com objetivo de ridicularizar e inferiorizar, afetando o seu desempenho – Nota: essa é a estratégia de muitos gestores para justificar o desligamento de um colaborador ou mesmo força-lo a pedir demissão. Esse tipo de situação geralmente acontece quando não há um alinhamento entre gestor e gerido, e por algum motivo (geralmente financeiro ou indicadores de gestão) um gestor não consegue ou não pode demitir o colaborador. É comum que, em situações de assédio moral, existam tanto as ações diretas por parte do empregador, como acusações, insultos, gritos, e indiretas, ou ainda a propagação de boatos e exclusão social.

Exemplos de situações que podem ser classificadas como assediosas moralmente.

  • Instruções confusas e imprecisas.
  • Dificultar o trabalho.
  • Atribuir erros imaginários.
  • Exigir, sem necessidade, trabalhos inúteis.
  • Sobrecarga de tarefas.
  • Ignorar a presença do trabalhador, ou não o cumprimentar ou, ainda, não lhe dirigir a palavra na frente dos outros deliberadamente.
  • Fazer críticas ou brincadeiras de mau gosto ao trabalhador em público.
  • Impor horários injustificados.
  • Retirar-lhe, injustificadamente, os instrumentos de trabalho.
  • Agressão física ou verbal, quando estão sós o assediador e a vítima.
  • Revista vexatória.
  • Restrição ao uso de sanitários.
  • Ameaças.
  • Insultos.
  • Isolamento.

Existem outras muitas situações que podem caracterizar assédio moral, mas as mais comuns são as descritas acima. Outro ponto que deve ser levado em conta é que existem áreas e segmentos que tem práticas cotidianas, que podem ser caracterizadas como assediosas, mas não são intencionais. Veja, por mais importante que seja ter uma legislação própria, que proteja e delimite o tema do assédio moral, é importante entender que o assunto é relativamente novo no âmbito das discussões, mesmo que as ações perpetradas pelo assédio sejam tão antigas quanto o próprio trabalho.

Outro ponto importantíssimo é a questão cultural. No Brasil existe um sem número de empresas multinacionais, das mais variadas etnias, que tem costumes e modus operandi totalmente diferente dos praticados por aqui. Por exemplo, em determinadas etnias orientais é comum um gestor tocar fisicamente em um subordinado para lhe orientar sobre algo que ele deveria fazer ou ter feito ou mesmo não manter nenhuma comunicação direta com mulheres.

Faz parte da cultura deles. Mas não faz parte da nossa. O ponto aqui é a intenção. Nos dois casos é necessário adaptação do modus operandi para a nova realidade do mercado brasileiro.

[TIPOS DE ASSÉDIO MORAL] Basicamente, existem três tipos de assédio: vertical, horizontal e misto.

TravljaVertical – O mais comum e conhecido é o assédio moral descendente, onde o assediador é a figura de poder acima do assediado. É a clássica relação entre chefe x empregado. Menos comum, é o assédio moral ascendente. Ele acontece quando um subordinado exerce o assédio no seu superior. Algo comum nesse tipo de assédio é que ele pode ser realizado em grupo, como por exemplo, uma turma de alunos que assedia uma professora. No assédio descendente, o mais comum é ter um assediador e vários assediados. Nesse exemplo, temos vários assediadores e um assediado.

Horizontal – É o assédio moral praticado entre colegas que estão no mesmo nível ou não tem relação direta de subordinação. Enquanto o assédio moral vertical é amplamente conhecido e muitas vezes combatido, o assédio moral horizontal muitas vezes se disfarça de camaradagem e intimidade, mas não é. Em algumas empresas, esse tipo de assédio pode até ser visto como uma forma de “competição saudável” entre as partes visando um aumento na produtividade.

Nesse contexto, existe uma linha tênue entre o assédio moral horizontal e o bullying.

Misto – Menos comum, o assédio moral misto se caracteriza pela presença de três partes: o assediado, o assediador vertical e o assediador horizontal. No assédio moral misto, o assediado é atacado por todos, por superiores e colegas. O desdobramento do assédio moral misto quase sempre é a generalização da imagem criada pelo assédio sobre o assediado.

[FASES DO ASSÉDIO MORAL] O assedio moral não acontece de uma hora para outra. Ele não é um evento, é um processo que não tem duração exata para acontecer, mas que na grande maioria das vezes acontece segundo o cronograma abaixo:

Primeira Fase – O dia a dia nas empresas é dinâmico. Muitos interesses e percepções contrárias, quando não conflitantes. Mas, sem nenhum problema quando as partes envolvidas conseguem se resolver de maneira respeitosa e de comum acordo sobre determinado fato. O problema começa quando não há essa colaboração positiva e as relações começam a se deteriorar dando origem a um problema mais profundo.

Segunda-Fase – A segunda fase do assédio do moral é chamada de estigmatização. É nela que o assediador põe em prática as ações de exposição e possíveis humilhações ao assediado. As ferramentas do assédio moral variam, mas o objetivo é um só: expor negativamente o assediado de maneira continua ridicularizando e isolando-o socialmente. Muitos assediados não percebem esse tipo de situação como assédio moral. Muitos acreditam que é um tipo de “teste de iniciação” para ser aceito ou mesmo algo passageiro, mas não é. É nesse momento que qualquer atitude contra o assédio moral deve ser tomada, seja por parte do assediado, seja por parte das testemunhas oculares do assédio.

Se nada for feito, o assédio tende a se consolidar. E o pior que pode acontecer é toda a situação se tornar corriqueira, “normal”.

Terceira-Fase – Eu chamo essa fase de “Fase Decisória”, porque de duas uma: ou a empresa toma uma decisão de resolver a situação de assédio ou ela deixa as coisas caminharem fora do seu controle. Aqui existem basicamente duas soluções:

  • A empresa realiza uma investigação exaustiva do conflito, decide trocar o trabalhador ou o agressor de posto e se articulam mecanismos necessários para que não volte a ocorrer o conflito.
  • A empresa vê o assediado como o problema a combater, reparando em suas características pessoais distorcidas e manipuladas e tornando-se, desta forma, cúmplice do conflito.

Quarta-Fase – Aqui acontece a marginalização e exclusão da vida laboral do assediado. O mais comum é o abandono do emprego. Algumas situações de assédio moral são tão traumáticas para o assediado que há casos de suicídio. Grande parte das denúncias oficiais à justiça acontecem nesse estágio.

[O ASSÉDIO MORAL COMO ESTRATÉGIA DE NEGÓCIOS] Muitas empresas e muitos líderes adotam partes do mecanismo de assédio moral como estratégia de negócio, sempre com a premissa de aumentarem a performance e estimularem a competitividade dos seus liderados. Geralmente, esse tipo de estratégia cria culturas tóxicas, nocivas e pouco sustentáveis do ponto de vista de desenvolvimento de pessoas e retenção de talentos.

Muito comum nos anos 90 e inicio dos anos 2000, esse tipo de ambiente vem sendo cada vez mais castigado, alvo de colaboradores que expuseram as situações vividas e vem combatendo esse tipo de ambiente profissional. Porém, infelizmente, é comum as altas lideranças darem carta branca aos líderes para fazerem o que quiserem enquanto os resultados alcançados estiverem acima das metas. As justificativas para uma cultura organizacional voltada para o assédio moral incluem pensamentos como “aqui é para profissionais cascudos”, “aqui só os fortes sobrevivem”, “somos competitivos” ou “sem mimimi”.

[O ASSÉDIO MORAL COMO FERRAMENTA DE DEMISSÃO] Algumas empresas e líderes podem utilizar o assédio moral como ferramenta para demissão de algum subordinado.

Geralmente isso acontece quando não há recursos para o pagamento das verbas rescisórias ou quando o bônus do líder está atrelado aos indicadores de turn over da sua área.

Para a empresa, um pedido de demissão é muito menos custoso do que demitir um funcionário. Existem outros motivos para o uso do assédio moral como ferramenta de demissão?

Existem. Mas esses são os mais comuns. Expressões como “vamos ver se fulado espana” ou “vamos transformar a área em uma panela de pressão”, são exemplos de expressões que indicam que práticas assediosas poderão ser empregadas para atingir determinado objetivo.

Nos dois exemplos citados o objetivo é um só: fazer com que o profissional peça demissão.

 [QUAIS SÃO AS CONSEQUÊNCIAS DO ASSÉDIO MORAL PARA A EMPRESA?] Como eu já disse a cima, o assédio moral tem provavelmente o mesmo tempo de existência do que as primeiras relações de trabalho. Ele sempre existiu. Porém, no Brasil ele vem ganhando notoriedade recente em virtude do dano que ele causa as pessoas. Vou falar disso logo abaixo, mas existem pessoas que não conseguem superar os traumas causados por anos de assédio e se retiram do mercado formal profissional ou mesmo passam um bom tempo afastadas. Já para as empresas em que o assédio moral é naturalizado ou aceito, onde ele faz parte da cultura ou mesmo é a cultura, existem uma série de consequências não só financeiras.

– Indenizações por danos morais – Essa é a principal consequência do assédio moral para empresas quando um colaborador que foi assediado recorre à Justiça do Trabalho. Ser processada por um colaborador é péssimo para uma empresa!  Além da quantia financeira à pagar como indenização ao assediado, uma empresa corre o risco de ter os seus negócios afetados por esse tipo de pendencia jurídica.  Existem algumas empresas que tem códigos de conduta onde elas só se relacionam comercialmente com empresas que não tem histórico de infrações legais e o assédio moral pode estar em um deles. Para isso, pede-se a Certidão de Ações Trabalhistas.

– Indenizações por danos materiais – Menos comum que as indenizações por danos morais, podem ocorrer em ambientes de trabalho onde o assédio moral é praticado. Por exemplo, quando grupos o praticam contra um funcionário (assédio horizontal ou misto), é comum que haja danos a objetos pessoais. Também serão quantificados gastos com tratamentos psicológicos, remédios e tudo aquilo que cause consequências materiais para o patrimônio do colaborador.

– TAC (Termo de Ajuste de Conduta) pelo Ministério Público do Trabalho – O Ministério Público do Trabalho é responsável pelo zelo da justiça nas relações de trabalho. Ao receber denúncias de assédio moral institucionalizado nas empresas ele pode impor o TAC. Em linhas gerais, o TAC consiste em um acordo entre Ministério e a empresa, uma relação extrajudicial para alteração de práticas nocivas no ambiente de trabalho. Caso haja um descumprimento do acordo por parte da empresa, multas com valores vultuosos podem ser aplicadas a empresa.

– Queda de produtividade – Se a máxima de que funcionário feliz trabalha mais e melhor, o que acontece se ele estiver infeliz?Colaboradores assediados moralmente tem propensão

A serem menos produtivos, ficam desmotivados para realizar suas tarefas, não procuram melhorar sua capacitação profissional e, consequentemente, contribuem para a redução da performance de onde trabalham. O assédio moral no trabalho ter correlação direta com a redução dos rendimentos nas empresas, especialmente se ele é naturalizado em várias equipes e ambientes. Se uma empresa tem o assédio moral institucionalizado, sendo parte da sua cultura e se orgulha dos resultados que tem, eu pergunto: Que resultados ela teria sem a cultura do assédio?

– Dificuldades na atração e contratação – A relação colaborador versus empresa mudou. As pessoas não são mais reféns das empresas e, no bem da verdade, o que se vê hoje em dia é uma guerra desenfreada por novos (e antigos) talentos. Junte a esse cenário a invasão massiva da tecnologia e temos uma cenário onde a balança tende a pender para o lado dos profissionais e não das empresas. Employer Branding e Employer Experience são dois temas atualmente presentes em qualquer discussão que seja a atração de novos talentos e contratação de profissionais qualificados.

Existem empresas que se tornaram notórias por terem o assédio moral deliberado como parte da sua cultura.

O que antes era visto e tolerado, hoje já não é mais. Empresas com reputação assediosa, ou mesmo líderes reconhecidamente com comportamento assediador, são cada vez mais rejeitados pelo mercado de trabalho. E como óbvia consequência, terão muita dificuldade em encontrar profissionais dispostos a participar de seus processos seletivos e se juntar ao time da empresa. Sites como Lovemondays.com.br e Glassdoor.com tem importância fundamental nessa virada de mesa.

[O QUE AS EMPRESAS PODEM FAZER PARA EVITAR O ASSÉDIO MORAL?] Parte fundamental do desse assunto, as empresas podem contribuir de forma decisiva para a erradicação ou no pior das hipóteses a erradicação do assédio moral nas suas dependências. Grande parte do trabalho deverá ser realizado pela área de Recursos Humanos que muitas vezes atuará em parceria com a área jurídica também. Algumas ações que as empresas podem fazer para coibir ou erradicar as práticas assediosas:

 – Treinamento da liderança (e posterior cascateamento para todos os colaboradores) sobre o que configura assédio moral no trabalho – Como a prática do assédio moral é mais comum entre superiores e inferiores hierárquicos (assédio vertical) , é imprescindível informar os líderes da empresa sobre do conceito de assédio moral e a importância de evitá-lo, e dos riscos que a empresa corre ao permitir esse tipo de conduta. O passo seguinte, que é tão ou mais importante do que esse, é transmitir o mesmo conteúdo para os demais colaboradores. Não só para coibir o assédio horizontal e misto, mas para que as relações com os seus gestores sejam sempre saudáveis. Cursos e palestras de capacitação são sempre uma boa opção para mitigar o assédio moral.

– Política organizacional contrária ao assédio moral – É importante que a empresa tenha uma postura oficial contra a prática do assédio moral nas suas dependências – sendo que o ideal seria não só nas suas dependências mas em todo seu entorno, como cadeia de fornecedores e parceiros – criando uma politica expressa de repudio e intolerância ao assédio moral no trabalho, como códigos organizacionais de ética e conduta. É de suma importância que esses códigos sejam acessíveis aos colaboradores e que sejam funcionais quando houver necessidade de uso. Nem é preciso dizer que para a empresa é melhor lidar com possíveis casos de assédio moral assim que eles surgem ao invés de permitir que a conduta imprópria dure por mais tempo prejudicando mais pessoas e corroendo a cultura e imagem da empresa.

– Canais de comunicação para denúncias – Uma das formas mais simples que uma empresa tem para garantir uma comunicação clara com os seus colaboradores sobre assédio moral é ter canais de comunicação específicos para isso. Geralmente é um número de telefone que cai em uma central preparada para esse tipo de atendimento (na grande maioria das vezes é uma empresa contratada que faz todo o atendimento da chamada e encaminha para os responsáveis) ou um canal online específico. Em alguns casos a tratativa ocorre internamente, seja por auditores ou mesmo alguém da área de recursos humanos. Ter esse tipo de mecanismo a disposição dos colaboradores reforça a posição da empresa contra a prática do assédio moral e encoraja as denúncias. Muitos colaboradores têm medo de relatar os assédios sofridos, seja por vergonha, medo de demissão, ou mesmo porque o assediador é o seu superior direto. Ter um canal confiável de denuncia expõe o assediador e coibi as práticas de assédio moral mesmo nos níveis mais básicos.

– Tolerância zero. Disciplinar as condutas indevidas – Assim que uma conduta assediosa for identificada, ela deve ser averiguada e caso se prove verdadeira, deve ser reprimida. Um dos aspectos de uma conduta assediosa é sua não eventualidade, ou seja, sua continuidade ao longo do tempo. Se a empresa a reprime e disciplina os funcionários que praticam o assédio moral, a conduta cessa mais rapidamente e deixa de ser praticada. As consequências financeiras, judiciais e de produtividade são então minimizadas, o que é o objetivo de qualquer empresa.

[O QUE FAZER QUANDO SE É ASSEDIADO MORALMENTE?] Antes de tudo, é importante ter em mente o que caracteriza assédio moral. Ter o conceito bem claro impede com que você tome atitudes impróprias e caia em descredito.

Porém, se você está vivendo situações que configuram assédio moral, faça o seguinte:

– Converse com o assediador. Lembre-se, o assédio moral é algo relativamente novo para a grande maioria das pessoas. Algumas pessoas têm resiliência e tolerância maior do que as outras e podem achar que todo mundo pensa e age como elas. Muitos assediadores o são não por maldade, mas por desinformação. Por isso, tenha uma conversa franca com o assediador e explique que você não tolerará mais nenhuma atitude assediosa dele (a) para com você.

– Evidências. Se o assédio continuar é hora de buscar evidências do comportamento assedioso. Lembre-se que uma das coisas que caracterizam o assédio moral é o tempo constante em que ele é realizado. Por isso sempre há um histórico de ações assediosas.

O mais comum são e-mails e situações públicas, como reuniões. No caso de e-mails é importante saber se eles têm informações confidenciais e etc. Em um eventual processo formal, eles podem ser invalidados pela justiça. No caso de situações públicas, temos outro desafio: contar com o suporte dos colegas. Muitos colegas de trabalho são testemunhas oculares de assédio moral e se recusam a tomar qualquer tipo de atitude contra isso (sendo que é possível que eles também sejam assediadores).

Por isso, é importante saber se você pode contar com os seus colegas caso decida abrir um processo formal interno ou na justiça contra um assediador que trabalha com você. Alguns assédios ainda acontecem por canais particulares, sendo o mais comum por mensagem de texto. Essas evidências são as mais aceitas em processos internos e externos como prova cabal de assédio moral.

– Faça uma denúncia formal nos canais internos. Se a empresa onde você trabalha tem um canal formal para esse tipo de denúncia, use-o. Antes de relatar o ocorrido, estruture a ordem dos fatos e contextualize. Se o canal for uma linha telefônica, faça a ligação de um número diferente do seu. Se o processo for virtual, detalhe e apresente as evidências coletadas.

Se o processo envolver o RH tenha uma conversa confidencial com o responsável de preferência em um lugar reservado.

– Busque apoio familiar. Se a situação perdurar busque apoio nas pessoas que são importantes para você. Familiares e amigos, até colegas de trabalho, são fontes seguras de carinho e amor, e podem lhe ajudar a passar por essa situação difícil.

– Busque ajuda profissional. Geralmente, nesse estágio o colaborador já foi demitido ou está em uma situação tão caótica, que está prestes a pedir demissão ou ser demitido. Se todo o processo formal disponível pela empresa foi realizado e nada mudou, é sinal de que a empresa é conivente com o comportamento do assediador e não é lugar para você. Nesse caso, a melhor coisa a se fazer é buscar orientação profissional e buscar os seus direitos na Justiça do Trabalho.

[COMO FALAR DE ASSÉDIO MORAL EM UMA ENTREVISTA DE EMPREGO] O assédio moral tem consequências sensíveis na carreira de uma pessoa e na possível busca por um novo emprego.

O assédio moral pode ter sido responsável pelo candidato ter ficado pouco tempo em uma experiência profissional ou mesmo ter pedido demissão. Até mesmo pode ter sido demitido no meio de um projeto importante, que seria um marco na sua carreira, quando não se calou diante do assédio. Diante dessas situações, como abordar o assédio moral como motivo principal do encerramento de uma passagem profissional?

Antes de tudo, esse é um tema muito delicado.

E novamente, chamo a atenção para o que configura assédio moral.

O termo “assédio” pode ter um impacto muito forte em uma entrevista de emprego, principalmente se o entrevistador tiver pouca experiência ou não estiver familiarizado com o tema, por isso, em um primeiro momento, evite. O que eu sempre sugiro é dizer que havia um desalinhamento de expectativas entre o candidato e a empresa/gestor e isso resultou na saída do profissional, ou mesmo um desalinhamento entre o profissional e a cultura da empresa.

Minimamente, é importante expor alguns exemplos desse desalinhamento. Se for esse o caso, contextualize o seu interlocutor trazendo exemplos claros e reais sobre os motivos que o fizeram sair da sua última experiência profissional.

Se o entrevistador entender que os motivos da saída do seu antigo emprego foram por situações que existem na empresa onde você pleiteia um emprego, certamente ele o alertará disso ou mesmo não recomendará que o seu perfil siga adiante no processo seletivo.

Se isso acontecer, agradeça.

Provavelmente você se livrou de outra provável experiência assediosa.

Fica aqui o meu alerta: Se você vive continuamente experiências assediosas em empresas e com pessoas diferentes, é necessário analisar o seu comportamento e/ou sua área de atuação.

Como dito no começo do texto, existem culturas organizacionais onde o assédio moral é parte do cotidiano e a mudança poderá levar anos. E, existem pessoas que aceitam ou demoram para tomar uma atitude contra o assédio moral sofrido.

[PALAVRAS FINAIS] O assédio moral é um tema novo no Brasil. De uma forma ou de outra, estamos todos aprendendo com ele e com as situações que o cercam.

A melhor maneira de aprendizado é compartilhar experiências e lutar contra ele. Se você foi ou é testemunha de situações assediosas, nãos se cale e não tenha mão remissa.

Ofereça ajuda quando for necessário e não permaneça em silêncio.

Se você é vitima de assédio moral, busque ajuda e não se cale nunca.

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Postado por / 24/03/2019 / 0 Comentários
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