O que podemos aprender com a África do Sul, campeã da Copa do Mundo de Rugby 2019.

O que podemos aprender com a África do Sul, campeã da Copa do Mundo de Rugby 2019.

Ontem a seleção da África do Sul conquistou o tricampeonato da Copa do Mundo de rugby, um esporte centenário, derivado do futebol, muito popular no mundo e que vem crescendo no Brasil, principalmente depois das olimpíadas de 2016.

Ainda há muito o que fazer no Brasil para que o rugby cresça e a seleção nacional, chamada de Tupis, tenha competitividade e projeção internacional. Atualmente, a seleção brasileira de rugby ocupa a 26° posição e estamos no tier 3, uma espécie de terceira divisão do rugby mundial. Na américa do sul temos como grandes exemplos de times nacionais de rugby as seleções da Argentina e do Uruguai, chamadas de Pumas Teros, respectivamente.the-all-blacks-are-in-a-little-bit-of-trouble-scrum-wise-bernard-jackman-outlines-shortcomings-in-new-zealand-front-row

O rugby é um esporte intenso e de muito contato físico, de estratégia e de conjunto, acima de tudo. Justamente por isso, uma das metodologias mais usadas na gestão de equipes de alta performance leva o nome de uma das jogadas mais famosas do rugby, o Scrum.

Refletindo ontem após a final eu me peguei pensando no que a trajetória da África do Sul pode nos ensinar. Eu poderia continuar esse paragrafo com o clichê “nos ensinar em termos profissionais e pessoais”, mas como eu sempre digo, não existe um interruptor atrás da minha orelha onde é possível ligar e desligar uma das funções. Somos um só.

Dito isso, seguem abaixo as reflexões que tive após o jogo.

[O BÁSICO BEM FEITO] No rugby, assim como em qualquer outro esporte, para se ter performance é necessário executar muito bem os movimentos básicos como passes, chutes, movimentação e principalmente, ter entendimento do jogo para saber o que se está fazendo.

Durante a Copo do Mundo de 2019 e principalmente na final, o time da África do Sul, conhecida como “Springboks”, mostrou muita competência em fazer o básico de um jogo de rugby. Posicionamento perfeito, passes certos, marcação incansável, sem dar espaço ao adversário, laterais precisos e o scrum mais poderoso da terra, fizeram os Springboks imbatíveis contra a Inglaterra, time que desbancou a mítica Nova Zelândia nas semifinais.

O altíssimo nível apresentado nessa edição da Copa do Mundo é fruto de horas e mais horas de treinos, indo desde os fundamentos mais básicos até os treinos táticos mais avançados.

Repetição, muita repetição.

Em cenários competitivos como um campeonato mundial, mercado de trabalho e setores econômicos, antes de inovar, de buscar novas alternativas e jeitos novos de fazer velhas coisas, é importante entender se as atividades chave para o sucesso estão sendo realizadas com o máximo de aproveitamento possível.

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[DIVERSIDADE e INCLUSÃO] Talvez nenhuma nação do mundo tenha um quadro de desigualdade racial tão grande e escancarada quanto a África do Sul, basta se lembrar que o apartheid durou de 1948 até 1994 e as consequências dessa política severa fazem parte do cotidiano sul africano. Nesse sentido, o rugby, mais até do que o futebol, teve uma importância gigantesca na unificação do país entre 1994 e 1995, quando o país sediou a terceira copa do mundo – toda essa dinâmica pode ser vista no filme Invictus, de 2009 dirigido por Clint Eastwood. Nessa ocasião, os Springboks contavam com apenas um jogador negro no time, o ponta Chester Williams (falecido nesse ano). De lá para cá, o rugby no país só cresceu e a inclusão real e sustentável das diversas etnias sul-africanas pode ser vista na equipe campeã de 2019, sendo o capitão, Siya Kolisi, um grande exemplo. Perceba, o que foi iniciado em 1995 vem servido de base para as gerações vindouras e já alcançaram o máximo da gloria no rugby em 2007 e agora em 2019.

[ADAPTABILIDADE] Quando um time chega na final de um torneio eliminatório, tendo passado por fase grupos e etapas eliminatórias, de certo o seu adversário já conhece o seu estilo de jogo, eventuais pontos fortes e fracos, oportunidades e ameaças. Na grande maioria das vezes, mudar de estilo de jogo, de modus operandi, pode ser fatal. Em um time de rugby, com 15 jogadores, mudar de estilo de jogo prestes a entrar numa final pode ser bem arriscado.

A Inglaterra, que eliminara os All Blacks, então bicampeões, vinha como favorita e tinha um estilo de jogo conhecido. Para chegar a final, a Inglaterra eliminara Austrália e Nova Zelândia, duas grandes potencias. Do outro lado, os Springboks eliminaram a seleção anfitriã, o Japão, e passaram pelo País de Galês nas semis, dois times que fizeram um bom campeonato. O que se esperava era um jogo entre uma Inglaterra agressiva, com toques rápidos e marcação agressiva versus um time de defesa forte com um jogo tradicional.

Mas o que vimos foi uma África do Sul rápida, envolvente, com pouquíssimos erros e um alto aproveitamento em lances capitais. O nó tático havia sido dado e o adversário não teve tempo de reação. Adaptar-se a um novo cenário é garantia de sobrevivência no mundo moderno.

[EQUIPE COESA] Um jogo de rugby, por definição, é intenso. A disputa pela bola é frenética e incessante, e por mais que treinem, o nível de exaustão durante a partida é sempre muito alto para os jogadores. É comum substituições por fadiga após os 40 minutos iniciais e mais comum ainda são as substituições por lesões durante a partida. Por isso, é importante ter um time unido e coeso, onde a linha entre o titular e o reserva seja tão tênue em termos de valor gerado e performance que a substituição não afeta o desempenho do time.

Aliás, uma curiosidade. No rugby não usamos nomes nas camisas para identificar os jogadores, a razão disso é que o individuo não é mais importante que o time e nem da função destinada a ele.

Eduardo Saigh é formado e pós-graduado em marketing pela ESPM. Atuou com sucesso na área de marketing e comunicação durante 8 anos, quando decidiu mudar de carreira e empreender na área de desenvolvimento humano. Após três anos na nova área, aceitou o desafio de fazer a restruturação da área de RH na Hays, uma das maiores consultorias de recrutamento e seleção especializadas do mundo. Atualmente é o head da Elliott Scott, multinacional especializada no recrutamento e seleção de profissionais de RH e sócio fundador da Peopleminin.

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