9 habilidades essenciais para o profissional de Recursos Humanos

9 habilidades essenciais para o profissional de Recursos Humanos

O RH vem se consolidando a cada dia como peça fundamental no intrincado cenário empresarial atual. Gerações diferentes trabalhando lado a lado, invasão tecnológica, trabalhadores remotos, mudança de cultura e etc. Cabe ao RH ser um facilitador, criando um contexto para que as mudanças sejam harmônicas e atendam aos interesses de todos os envolvidos, especialmente colaboradores e as empresas.

Nesse cenário caótico em que vivemos, é de se pensar quais seriam as habilidades necessárias para um profissional de RH ter sucesso na sua vida profissional. Para tal, usarei como guia as 9 habilidades descritas por Stephen Bruce e Bob Brady. Apesar do texto original ter quase 13 anos, quando eu olho para as necessidades do mercado brasileiro quanto a contratação de profissionais de RH, em maior ou menor grau, são essas as habilidades procuradas.

É importante notar a diferença entre competência e habilidade no contexto desse tempo; habilidades são capacidades que uma pessoa adquire para desempenhar determinado papel ou função, enquanto a competência é mais ampla e consiste na junção e coordenação das habilidades com conhecimentos e atitudes.

9 habilidades essenciais para o profissional de Recursos Humanos

Organização

Ser um profissional de RH requer organização. Gerenciamento do tempo e eficácia nos processos do dia a dia são a garantia de um RH proativo e colaborativo com os objetivos da empresa.

Lembre-se, o RH lida com pessoas. E isso quer dizer que, inevitavelmente, os objetivos profissionais de outras pessoas só serão realizados com o apoio sistemático do RH. Quando um líder pede auxílio para revisão de metas, processo seletivo ou promoção de alguém do time dele, a última coisa que ele deve ouvir é: “Eu vou te ajudar assim que eu tiver tempo.”

Multitarefa

Talvez possa ser novidade para algumas pessoas, mas um dia típico de um profissional de RH é intenso. Uma dúvida sobre benefício aqui, uma reunião com o seu principal cliente interno ali – que obviamente vai resultar numa enxurrada de coisas à fazer – discutir sobre a estratégia de employer branding logo em seguida, verificar o processo de onboarding dos novos colaboradores. Isso sem falar em outras dezenas de coisas que podem aparecer sem aviso prévio como: verificar o processo de folha de pagamento, ver a pesquisa de clima, participar de uma entrevista para validar o perfil de um candidato (a), fechar a agenda de treinamento e por aí vai. A dinâmica da maioria dos negócios é intensa e exige flexibilidade e jogo de cintura por parte dos profissionais de RH. Apesar das empresas serem entidades legais compostas por pessoas físicas que deveriam agir com respeito e organização, sabemos que na prática a teoria é outra. Na grande maioria das vezes, pouco importa ao Gerente A se você está ajudando o Gerente B em um processo delicado de desligamento. Ele quer a contratação do analista sr. para compor a equipe dele para ontem. Portanto, é necessário que o profissional de RH seja capaz de lidar com eficácia (novamente ela!) na maior parte do tempo e como eu sempre ouço dos meus candidatos: “equilibrar diversos pratos ao mesmo tempo sem deixar cair um”.

Lidar com o subjetivo

Uma parte significativa dos problemas enfrentados pela liderança de RH está no que chamamos de “área cinzenta”, onde a definição de algo não é clara e objetiva o suficiente e sempre dá margem interpretativa. O que é assédio? O que é discriminação? O que é perfil ideal? O profissional de RH precisa saber lidar com subjetivo, com informações incompletas e cenários pouco claros. Além disso, ele precisa saber a hora exata de buscar ajuda externa, ou mesmo interna, de especialistas nos assuntos que lhe são pouco claros.

Uma coisa importante a se dizer sobre cenários nebulosos e falta de exatidão em alguns temas: algumas líderes, propositalmente, deixam que esse tipo de cenário perpetue e se fortaleça, criando culturas pouco claras, com um ambiente e jogo político escusos. Tudo isso para que as coisas funcionem como eles desejam e que não se aplica a todos os colaboradores. Em algumas situações o RH tem participação nessa construção, outras vezes, por mais que ele se esforce, acaba ficando à mercê dela.

Negociação

De mãos dadas com “lidar com o subjetivo”, vem a necessidade do profissional de RH saber negociar. Não importa o subsistema, o nível ou cargo, sempre haverá pontos de vistas e interesses distintos e muitas vezes caberá ao RH mediar, influenciar e sugestionar as partes envolvidas para que se chegue em uma decisão coerente aos objetivos da empresa, sua cultura ou que seja aceitável para as partes envolvidas.  Muitas vezes o RH terá que negociar com as outras áreas da empresa para que uma lei trabalhista não corra o risco de ser quebrada ou mesmo para que a cultura da empresa não seja ferida ou mesmo enviesada por uma decisão estratégica. Em termos de mitigação de riscos, os parceiros costumeiros do RH são a área jurídica e financeira.

Comunicação

Em conjunto com os dois itens anteriores, a comunicação fecha a trinca de habilidades que um profissional de RH deve ter para transitar harmoniosamente interna e externamente. Como já dito, o dia a dia de um profissional de RH é corrido, intenso, com várias coisas acontecendo ao mesmo tempo e com muita interação com líderes de negócio, gerentes, diretores e toda a sorte de colaboradores. Além disso, dependendo do cenário profissional, o profissional ainda pode ter muita interação com possíveis colaboradores (candidatos), meios de comunicação externos, mídias sociais, e etc. Em algumas situações, a voz do RH é a voz da empresa em que ele trabalha e isso quer dizer que as suas habilidades de comunicação devem ser claras, convincentes e atenciosas.

Discrição e Ética

Lidar com pessoas é sempre um desafio. No atual desenho da grande maioria das empresas brasileiras, o RH ainda acaba sendo o guardião da cultura e das políticas corporativas e isso implica responsabilidade de gestão de informações confidenciais. Além de garantir que as políticas e diretrizes da empresa sejam cumpridas, é tarefa do RH garantir, seja através da comunicação, negociação e influência que as regras estipuladas sejam seguidas, e que os comportamentos desviantes sejam corrigidos. No Brasil é cada vez mais comum a união entre Compliance e RH.

De igual importância, o RH deve ser capaz de manter todo tipo de informação confidencial em sigilo total. Uma informação confidencial espalhada sem planejamento pode ser muito, muito danosa para aos negócios de uma empresa, gerando um possível problema que poderia ser evitado. Todos sabemos a força que a “Rádio Peão” tem, para o bem e para mal.

Foco duplo: Pessoas e Empresa.

O profissional de RH tem um duplo dever: estar atento as preocupações dos colaboradores ao mesmo tempo que deve garantir que as diretrizes e objetivos corporativos sejam seguidos.

Esse difícil equilíbrio é uma das chaves para ganhar a confiança de todos e garantir um ambiente harmônico.

Haverá momentos em que o RH deverá tomar decisões para proteger o individuo e outras tantas para proteger a organização, sua cultura e seus valores. Essas decisões podem ser mal compreendidas às vezes, mas é sempre importante manter o foco no equilíbrio e encontrar novas saídas quando os interesses dos colaboradores entram em rota de colisão com os interesses da empresa.

Gerenciamento de Conflitos e Resolução de Problemas

Uma mistura de todos os itens listados até aqui, Gerenciamento de Conflitos e Resolução de Problemas é a habilidade de resolver as divergências entre duas ou mais partes de uma organização, sejam elas praticadas individualmente ou em grupo. Problemas e divergências são comuns no dia a dia de uma empresa, e muitas vezes são até bem-vindos, uma vez que a divergência de opiniões pode levar a uma nova visão sobre algo. Porém, na grande maioria das vezes, problemas e conflitos são coisas negativas, que dependendo da escala podem afetar a produtividade de uma equipe, setor ou até da empresa inteira.

Gestão da mudança e Inovação

O mundo empresarial está mudando. Equipes surgem, fazem o seu trabalho e se dissolvem à medida que outras se formam. Algumas empresas têm hierarquias sólidas e querem um novo modelo de atuação. Outras, não têm hierarquia nenhuma e necessitam de alguma forma organizada de gestão. Algumas organizações têm 4 ou 5 gerações diferentes trabalhando ao mesmo tempo. Além disso, temos os desafios constante do desenvolvimento da liderança, trabalho remoto e invasão tecnológica. Muitas pessoas estão assustadas com o que está acontecendo e cabe ao RH ajudar a todos a lidar com essas novas situações, da maneira mais harmônica possível, equilibrando os interesses da empresa e dos colaboradores.

Nove habilidades e além

“O RH é uma criatura que serve à estratégia comercial”, diz Brady. “É importante que o pessoal de RH saiba o que é essa estratégia e o que faz a empresa funcionar, de modo que a abordagem ao RH possa ser adaptada de acordo.

“Nunca pense em RH isoladamente”, ele aconselha. “Porque se os profissionais de RH se considerarem ‘apenas RH’, é o que o resto da organização também pensará”.

Quais outras habilidades você considera importante para o RH?

Eduardo Saigh é formado e pós-graduado em marketing pela ESPM. Atuou com sucesso na área de marketing e comunicação durante 8 anos, quando decidiu mudar de carreira e empreender na área de desenvolvimento humano. Após três anos na nova área, aceitou o desafio de fazer a restruturação da área de RH na Hays, uma das maiores consultorias de recrutamento e seleção especializadas do mundo. Atualmente é o head da Elliott Scott, multinacional especializada no recrutamento e seleção de profissionais de RH e sócio fundador da Peopleminin.

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